Ícone do site Repórter Nordeste

Mães alagoanas velam filhos sem corpos

Enquanto a dor não for vencida, a solidariedade será a contribuição possível, para as famílias de Roberta (Penedo) e Bárbara (Maceió), vivendo a mesma triste ausência, a ferida sangrando na dúvida, com cada dia menos esperança, ante a efervescência das batalhas pelo poder, na ocorrência de mais um pleito eleitoral.

Quando nos tiram um filho do convívio material, o indefinível sofrimento desterra forças escondidas no recôndito de nossas almas, passando da sobrevida a uma nova forma de viver, pois jamais voltamos ao ponto de partida, jamais seremos o que já fomos!

No entanto, quando sequer podemos viver o ritual igualmente dificil de velar seu corpo, e imaginamos mil formas atrozes de dizimações impostas, e nos entregarmos aos fantasmas de uma imaginação torturada…pouco resta de nós…até que ressuscitemos, como prova a cantora de MPB Nara Cordeiro, também vítima dessa calamidade, sem jamais poder enterrar o corpo de seu filho Andresson, até hoje desaparecido.

Claro que nos resta um gosto salgado na boca, provocado pelas lágrimas, de quem não se submete à injustiça de um sistema que não funciona a contento.
A entrevista coletiva dada pela Polícia Civil de Alagoas sobre o caso da Bárbara foi, em resumo, apenas para dá uma notícia e desenganar a família?
Apenas para dizer que não a espere encontrar viva?

A falta de materialidade acusa o sistema.

Apenas falar, gerar impacto midiático para dizer que descobriu “algo”, fez da nossa polícia triste protagonista de um sistema de segurança pública aos cacos; sem serviço de inteligência ou desequipada para a demanda.

Enquanto essas famílias e outras, padecem e lutam para recomeçar a triste saga a cada dia, os carros de som estridentes repetem os nomes dos candidatos, maioria indiferentes a esta realidade.

Denúncias de compras de voto, cadastramentos de eleitores, coerções, violências simbólicas, passam a ocupar a vida das gentes; os envolvidos, os espectadores, os comuns.

Percebemos a solidão de quem sofre?

Nos perguntamos, para quê votar e alimentar esse sistema espúrio?

O silêncio diante do extermínio, da crueldade e injustiça sequer incomoda a sociedade. Cada qual varre seu terreiro, na certeza de que isso só acontece com os outros. E existem grandes possibilidades de estarmos todos enganados.

Reforçamos o apoio às famílias citadas e elevamos preces ao Senhor de todas as crenças, em benefício das vítimas.

Sair da versão mobile