MA: 59 casos de crianças e adolescentes desaparecidas na capital

O Imparcial

Números altos e preocupantes. Segundo dados do Disque Denúncia (3223-5800) somente nestes três últimos meses foram registrados 140 casos de denúncias sobre pessoas desaparecidas no Maranhão. Deste montante 50% corresponde ao sumiço de crianças e adolescentes e, apenas na capital, foram 59 casos.

A assessoria de comunicação do Disque Denúncia informou que todas as reclamações sobre desaparecimento são captadas pela central de atendimento e imediatamente encaminhadas aos órgãos de competências, na maioria das vezes, fotos e informações sobre a pessoa desaparecida são divulgadas pela imprensa tanto nacional como local. A assessoria também divulgou que no mês de janeiro deste ano, o registro foi de 99 denúncias e no ano passado, 32 casos foram registrados.
No final de janeiro, os familiares de Érica, de 12 anos; e Géssica Pereira da Silva, de 16 anos, intensificaram a procura pelo Maranhão. Segundo informações do Disque Denúncia, as irmãs estão desaparecidas desde 2001 e o fato ocorreu quando saíram de Boa Vista, em Roraima com destino a cidade de Altamira, no Maranhão, à casa de seus avós paternos. Qualquer informação das irmãs pode ser feita para o Disque Denúncia ou pelo e-mail [email protected].

O outro caso de desaparecimento foi de Wanderson de Sousa Freire, de 15 anos, que mora na Rua da Felicidade, no João Paulo. De acordo com a polícia, ele saiu no final do ano passado para trabalhar como vigilante de carro, no Filipinho, e até o momento não retornou para casa. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial, mas não há pistas sobre o paradeiro do adolescente.

Ganhei outro filho

“Há um velho ditado que diz que faro de mãe não erra, pois, mesmo passando cinco anos sem ver o meu filho, no dia que eu olhar reconhecerei ele na mesma hora”, disse Itanilce Ferreira Rodrigues, de 32 anos. Ela é mãe de Ícaro Ferreira Rodrigues, que foi seqüestrado quando tinha apenas 42 dias de nascido do terraço de sua casa, localizada na Vila Goreth, nº 377, na Camboa, no dia 4 de setembro de 2008.

No momento, ela está morando com mais dois filhos menores, em um dos apartamentos do Condomínio Rio Anil, na Camboa. Na estante da sala há um espaço reservado para as fotos do pequeno Ícaro Rodrigues. “Não esqueço um só dia do meu filho que foi retirado de forma violenta da minha vida, mas, creio que um dia voltará para os meus braços”, afirmou.

Itanilce Rodrigues relatou que foi agraciada por Deus com um outro filho. Após um ano do desaparecimento de Ícaro ela engravidou. No decorrer da sua gestação, pensava que a criança que estava dentro do seu ventre era do sexo feminino, mas no dia do parto ainda na sala de cirurgia foi informada pelos médicos que a criança era do sexo masculino. “Eu tinha comprado apenas roupinhas para mulher, no entanto, como havia roupas ainda do Ícaro em casa aproveitei para o outro filho”, disse.

O seqüestro de Ícaro
Por volta das 9h, Itanilce Rodrigues havia deixado o menino por alguns segundos no terraço, deitado em um carrinho para olhar o filho mais velho, Ítalo Rodrigues, na época com dois anos e meio. Ao voltar, ela não encontrou mais o filho recém-nascido.

Na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), as investigações ainda permanecem no mesmo ponto onde pararam. Apenas uma linha de investigação indica o desaparecimento da criança. Segundo informações colhidas pela polícia, na época, um homem de cor morena, e de cabelos grisalhos, que apareceu para comprar carvão na residência de Itanilce é citado como o principal suspeito. Após recolher esses dados, a polícia elaborou e divulgou um retrato falado.

Cadastro oficial
No ano de 2009, foi sancionada a Lei nº 12.127/2009 que cria o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, resultante de uma ampla discussão nacional somada aos trabalhos de investigação da CPI de Crianças e Adolescente Desaparecidos. Em fevereiro de 2010, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em parceria com o Ministério da Justiça e com o apoio da Rede Nacional de Identificação e Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidas desenvolveram o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidas.

O Cadastro consiste em um banco de dados alimentado com informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos, incluindo as pessoais, como também as informações relativas à identificação civil e à imagem. Mediante autorização dos cadastrantes, algumas das informações podem ou não serem exibidas ao público em geral, mas todas ficam disponíveis à rede de delegacias de polícia civil integradas ao cadastro para apoio a ações de busca, localização e identificação de desaparecidos.

O Cadastro possibilita o registro, a sistematização, a consulta, e a difusão de informações sobre casos de desaparecimento em todo o país, além de marcar o envolvimento de agentes de Segurança Pública, Governos de Estado, Conselhos Tutelares e da sociedade no enfrentamento pleno desta problemática. Ele também facilita à família da criança ou adolescente desaparecido, o encaminhamento dos procedimentos de coleta de material genético para o Banco Nacional de DNA, ampliando as ferramentas de busca e apoio nas investigações.

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