Lula se antecipou a avanço da PF contra Jaques Wagner, diz colunista

Brasília (DF), 16/03/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebe o presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já vinha se preparando nos bastidores para a possibilidade de que as investigações do escândalo do Banco Master alcançassem o Palácio do Planalto.

A informação, revelada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, nesta quinta-feira (18), surge poucas horas após a Polícia Federal deflagrar uma nova fase da Operação Compliance Zero.

Esta nova etapa da apuração teve como alvo central o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e um dos aliados mais próximos e históricos do presidente, que foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo relatos de interlocutores do Planalto e de ministros de Estado, Lula vinha discutindo o avanço do caso internamente e adotou uma postura de defesa intransigente da autonomia da Polícia Federal.

O presidente passou a repetir a aliados que qualquer pessoa sob suspeita deve prestar os devidos esclarecimentos e responder por eventuais irregularidades.

Essa mesma estratégia de blindagem política e separação institucional já havia sido adotada por ele recentemente ao comentar investigações envolvendo seu próprio filho, Fábio Luís Lula da Silva, em um caso ligado ao INSS, ocasião em que declarou que ele teria de “pagar o preço” caso alguma responsabilidade fosse comprovada.

Antes de a operação da PF ir às ruas, Lula conversou diretamente com Jaques Wagner sobre o tema.

Na ocasião, o senador baiano procurou tranquilizar o chefe do Executivo, assegurando que não possui nenhuma participação direta nas fraudes financeiras atribuídas à antiga cúpula do Banco Master.

Apesar das justificativas e do discurso público de não interferência nas apurações da PF, o núcleo político do governo não esconde a preocupação com o potencial desgaste da imagem de Lula, especialmente por ocorrer em meio ao calendário da corrida eleitoral deste ano.

A avaliação interna no Planalto é de que o envolvimento de Jaques Wagner neutraliza uma importante narrativa política que o governo utilizava contra a oposição.

Até então, o escândalo do Banco Master desgastava principalmente a ala bolsonarista, já que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em gravações pedindo recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com o líder do governo formalmente inserido no rol de investigados pela Compliance Zero, aliados admitem que o Planalto perde o monopólio do discurso ético no caso e terá de enfrentar questionamentos incômodos nos próximos meses.

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