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Lula recalcula estratégia e modula tom contra Trump

Brasília (DF), 01/07/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do lançamento do Plano Safra 2025/26, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma reformulação na estratégia de sua campanha à reeleição, priorizando uma narrativa centrada na soberania nacional em detrimento do confronto direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo apuração do jornal O Globo junto a integrantes do governo e aliados próximos, a avaliação interna é que, embora o enfrentamento ao “tarifaço” norte-americano tenha impulsionado a popularidade presidencial em momentos anteriores, manter um discurso fortemente crítico ao líder estrangeiro pode limitar o crescimento de Lula fora de sua base tradicional de esquerda.

O objetivo agora é atrair o eleitorado de centro, considerado decisivo para o pleito, apresentando o petista como uma liderança experiente e capaz de garantir estabilidade em um cenário global marcado por conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

Nos bastidores, a orientação é “modular o discurso”, evitando tanto o embate aberto quanto gestos de proximidade excessiva com Washington, como aparições públicas ao lado de Trump.

O núcleo político do governo teme que ataques pessoais ao presidente norte-americano possam estimular uma interferência externa no processo eleitoral brasileiro, possivelmente na forma de um apoio explícito de Trump à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Ao manter uma relação institucional estável, o Planalto espera reduzir esses riscos e garantir algum grau de neutralidade da Casa Branca, mesmo diante do ceticismo de setores do PT que acreditam que grupos privados e plataformas digitais ligadas aos EUA possam tentar influenciar o ambiente político local de qualquer forma.

A mudança de tom marca um contraste com o passado recente, quando Lula classificou medidas econômicas de Trump como uma “afronta” e chegou a afirmar que, se o americano agisse no Brasil como agiu no episódio da invasão do Capitólio, estaria arriscado a ser preso por ferir a democracia.

Apesar de pesquisas de opinião terem mostrado uma redução na desaprovação do governo após essas falas mais duras, a leitura atual é que o foco em pautas nacionais e na liderança diplomática é mais eficaz para ampliar o alcance eleitoral.

A cautela aumentou após o encontro entre os dois mandatários na Malásia, em outubro de 2025, e episódios como a revogação do visto de um funcionário do Departamento de Estado americano que pretendia visitar Jair Bolsonaro na prisão, interpretados como sinais de que é possível manter um diálogo técnico sem rupturas ideológicas.

Ainda assim, aliados admitem que essa nova diretriz não é definitiva e pode ser abandonada caso o governo dos Estados Unidos adote medidas consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros nos próximos meses.

Um ponto de atenção é a possível classificação de facções criminosas do Brasil como organizações terroristas por parte de Washington, o que poderia forçar uma nova mudança de postura de Lula.

Por enquanto, a campanha deve seguir uma linha menos ideológica, apostando na imagem de um presidente que prioriza a defesa dos interesses nacionais e a gestão de crises internacionais para conquistar o eleitor menos polarizado.

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