O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom nas articulações políticas e decidiu “ir para cima” do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para convencê-lo a assumir a candidatura ao governo de São Paulo nas eleições de 2026.
Segundo apuração da jornalista Clarisse Oliveira, da CNN Brasil, este foi o foco central de um almoço reservado entre os dois, que durou mais de três horas na última quarta-feira.
Apesar da longa conversa, o encontro terminou sem uma definição oficial. Lula e Haddad mantiveram discrição absoluta sobre os detalhes do que foi tratado, mas lideranças do PT avaliam que o “martelo” deve ser batido em breve.
A urgência do presidente justifica-se pela necessidade estratégica de garantir um palanque robusto no maior colégio eleitoral do país para dar sustentação à sua própria tentativa de reeleição.
O risco eleitoral e o fantasma de Tarcísio
No entanto, a resistência de Haddad e de parte de seu entorno passa pelo cálculo de risco. O cenário atual aponta o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como franco favorito à reeleição nas pesquisas de intenção de voto.
Mesmo que Tarcísio opte por disputar a Presidência, o histórico de derrotas do PT no estado de São Paulo pesa contra a decisão do ministro. Interlocutores próximos a Haddad avaliam que uma nova derrota local poderia desgastar sua imagem política.
A mira em 2030 e o Ministério da Casa Civil
O pano de fundo da negociação, contudo, vai além de 2026. Aliados de Haddad indicam que ele aceitaria o desafio em São Paulo caso receba uma sinalização clara de que será o sucessor natural de Lula em 2030.
Uma das possibilidades ventiladas nos bastidores do Palácio do Planalto é que, em caso de derrota em São Paulo e vitória de Lula nacionalmente, Haddad retorne à Esplanada dos Ministérios para ocupar a chefia da Casa Civil.
Nesta configuração, o atual ministro da Fazenda passaria a ser o “homem forte” de um eventual quarto governo Lula, ganhando a vitrine necessária para consolidar sua liderança e se posicionar como o nome da esquerda para a sucessão presidencial na década de 2030. Por enquanto, o xadrez político segue em aberto, dependendo do sinal verde de Haddad para encarar as urnas paulistas.
