O Coletivo Mulheres que Escrevem é um território literário com caráter de gênero. As mulheres são parceiras, incentivadoras umas das outras, e com esta energia de sororidade, fortalecemos e crescemos juntas, cultivadas pela literatura.
Agregar energias criadoras é uma das nossas forças. Por essa razão, a possibilidade de termos os livros artesanais, produzidos pela escritora e editora cartonera Ana Karina Luna merece nossas celebrações. Aqui registramos e deixamos o convite ao público, para que na Bienal do Livro de Alagoas esteja atento ao roteiro de sessão de autógrafos do nosso estande.
Livros Cartoneros
De acordo com Ana Karina, que carrega consigo o Movimento Cartonero, “livros cartoneros são feitos reutilizando caixas de papelão (o “cartón”) para confeccionar as capas. O Cartonero é um movimento Latino-americano iniciados por catadores de lixo na Argentina. Editoras cartoneras funcionam num estilo matrístico, seja em mutirão, voluntários ou com um único par de mãos, mas os princípios são da cooperação e não-competição”.
Os livros de Ana Karina Luna seguem os princípios do movimento, assim, o miolo corresponde ao tradicional impresso, com ficha catalográfica e demais detalhes conhecidos através da impressão.
Neste modelo de trabalho artesanal, ela produz livros duplos, como o que adquirimos de suas próprias mãos, pois o incentivo ao comprar da escritora também faz parte dos direcionamentos do nosso conglomerado cultural. Abaixo expomos os dois livros amalgamados em uma única forma, mas com lados distintos.

No livro Uma Mulher dilacera o Patriarcado, temos
EI, VOCÊ, MULHER
eu não sou uma mulher.
é, sim.
você não pode me obrigar.
posso, sim.
eu lhe digo que não lhe sou. isso.
é, você é. uma mulher.
tá, o que é uma mulher?
é um vaso.
na minha casa, é tapete –
lindo, persa (ou ele é mouro?), custou horrores.
peso de ouro.
na minha, é um broche na gaveta.
na minha, uma panela inox –
só uso e lavo de vez em quando.
eu não sou.
se você negar, não vai poder entrar na fila.
que fila?
na fila dos homens.
tem uma fila dos homens?
em que país você vive, mulher?
em que país você vive (e eu não sou. isso.)
eu vivo onde tem mulher.
e eu não vivo.

No lado do livro que comporta Adágios de uma escrava, temos
FLOR DE NARCISO
Em mundo de escravos de tantas cores
corre braba uma escravidão primária
– a do próprio inconsciente -,
para ela resistência Ucraniana tem lição
para fora do auto-sofrente,
mas
o ÓPIO da humanidade,
querer eu continuar criança,
que alguém me salve fortemente.
A escrita de Ana karina Luna explora gêneros literários para além da poesia, com sua gana de expressão própria.
São delas as palavras:
“Da criação literária – minha real e maior paixão – à ilustração, à produção artesanal, à publicação – tudo forjado por uma mulher-autora-publicadeira-artesã em sua casa-atelier-templo”.
O instagram da escritora/editora é @luanegracartonera de onde outras informações podem ser tiradas.
Daqui a três meses, poderemos encontrar Ana Karina entre as demais Mulheres que Escrevem, no maior evento literário do estado de Alagoas, a Bienal do Livro, onde nosso Coletivo Mulheres que Escrevem estará com um estande ativo pelos dez dias de movimento cultural.





