A escritora Gabriela Malta rompe tabus, movimenta a imagética em benefício da arte e da causa, elencando poeticamente sua voz escrita:
” No miolo da orquídea dorme a onça ” não é apenas um título poético. É uma denúncia. A capa, a escultura de uma mulher, revela o gesto inaugural: uma pedra talhada que remete à musa. Uma musa que se oferece ao olhar masculino, mas é muda. É corpo que inspira, não sujeito que deseja. Essa pedra é também o corpo paralisado nos braços de quem deveria lhe dar prazer, mas lhe rouba o fôlego. É o corpo que deveria se entregar aos espasmos na cama, mas recebe 61 socos no elevador. É o corpo que sangra , que chora, que petrifica”.
A autora empresta sua voz para tantas mulheres, sendo ela mesma interessada na ação contumaz e necessária de evocar o direito à vida que pulsa nos corpos femininos, incluindo os gozos que merecem as mulheres, em séculos de negação deste fluxo potencialmente libertador.
” Nós, mulheres, estamos cansadas das histórias inventadas dos homens. Só eles ousavam nomear o desejo, o gozo, o grito. Só eles tinham trânsito livre por todo o vocabulário para falar de todas as partes, inclusive do corpo feminino”.
A escrita como território de ocupação feminina é proeminente na obra de Gabriela.
“Este livro é uma tomada da palavra. Uma ocupação. Uma ficção que não se descola da realidade porque quando uma mulher se apossa da força das palavras, ela é capaz de instaurar na literatura o horror da violência que nos provoca indignação todos os dias”.
O livro de Gabriela Malta estará em exposição no estande do Coletivo Mulheres que Escrevem, na 11ª Bienal Internacional do Livro em Alagoas, de 31 de outubro a 09 de novembro de 2025, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, bairro Jaraguá, em Maceió.
Contato com a autora:
@gabymaltalessa








