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Liquidificador, geladeira, arma de fogo e a dor das mães

Como poderemos respirar em um país que trabalha para normalizar a violência, quando ele mesmo já desponta como o território mais letal em áreas sem guerra?

Um governo que veio para matar. Para incentivar meninos e rapazes a se tornarem franco-atiradores, não pode ser arauto da esperança em ninguém que se reconheça ser humano

Ontem um ministro comparou arma de fogo a um mero liquidificador, eletrodoméstico auxiliar no fazimento de sucos, caldos, sopas, vitaminas, com tão discrepante função, daquela para a qual foi criada a arma de fogo: matar!

Hoje um dos generais ligados ao centro do governo Bolsonaro compara a arma de fogo a uma simples geladeira, outro importante eletrodoméstico, indispensável à conservação dos alimentos, resfriamento de líquidos, solidificação; outra absurda discrepância na funcionalidade comparada à arma de fogo.

Eu, na representação de todas as mães que tiveram seus filhos levados dos braços e dos abraços em consequências das perfurações balísticas resultantes do uso cruel de uma arma de fogo, não poderemos jamais considerar este objeto um eletrodoméstico.

Para nós é símbolo do crime que dói em nossos olhares, mesmo nos momentos de alegria e festa; uma mãe ferida de saudade infamante nunca mais deixará de ser assim. É irreversível!

Nosso repúdio a Bolsonaro e sua trupe de beligerantes!

Nosso repúdio ao armamento da população.

Nossa adesão a todas as lutas humanitárias!

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