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Língua de Bolsonaro não afeta o ‘negócio Brasil’

Talvez o que ajude a compreender a era Bolsonaro sejam as mudanças do capitalismo brasileiro, mais desprendido de suas lideranças políticas e mais agregado a personagens menos conhecidos, porém importantes, para definir os rumos da sociedade.

Talvez isso explique o pouco temor do produtor brasileiro em ver suas exportações caírem, mesmo com Bolsonaro sendo chamado de “o menor e mais maçante” dos líderes mundiais (The New York Times) ou de mentiroso pelo presidente de uma das nações mais ricas do mundo, que integra o grupo dos sete países mais poderosos do mundo.

Fosse o contrário, o empresariado brasileiro estaria com as mãos na cabeça sobre a venda de seus produtos para a Europa, por exemplo.

“As exportações do agronegócio paulista de janeiro a julho somaram US$ 8,46 bilhões e as importações, US$ 2,80 bilhões, o que resultou em um superávit de US$ 5,66 bilhões”, diz o Estadão.

“Produção de milho em Mato Grosso é 38% superior a média das últimas 5 safras; faltam armazéns”, explica do Só Notícias.

“Exportações do Brasil aos árabes cresceram 27% em julho”, diz a Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

“Exportação de milho do Brasil em agosto já aproxima-se do recorde de julho”, segundo a Reuters.

Isso não é obra de um Governo. E, talvez, pelo desprendimento cada vez maior entre as declarações atrapalhadas de um governante como Bolsonaro e o ritmo do mercado, interessado nos negócios e não nas condições políticas, os produtores estejam pouco preocupados a respeito do que líderes estrangeiros achem ou deixem de achar sobre nosso presidente.

Pauta da Fiesp nas últimas horas: o modelo de privatização da Petrobrás.

“Queimadas não devem prejudicar negócios, diz diretor da Fiesp”, segundo o Canal Rural, sobre a Amazônia.

E completa: “os incêndios complicam a imagem do agronegócio brasileiro no exterior, mas não devem prejudicar as negociações”.

A Amazônia é pauta nos jornais, entre ambientalistas, líderes dos países europeus.

Mas, nos corredores onde o dinheiro circula, as cinzas da maior floresta do mundo pouco (ou nada) significam.

Assim, Bolsonaro pode distribuir coices por onde estiver e para quem quiser. Inclusive xingando a mulher do presidente francês.

Desde que isso não afete os negócios…

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