Liberalismo empreendedor não liberta comunidade LGBTQ+ da violência em Maceió

Por Silvio Rodrigo, repórter.

A disputa ideológica pelo movimento LGBTQ+ em Maceió é escancarada com o surgimento de uma nova dinâmica política nos bastidores da Prefeitura de Maceió.

Como o que importa é o voto, abarcar pessoas em pseudo soluções parece ser não apenas viável, mas também de baixo custo e gera engajamento acrítico nas redes sociais.

Além disso, as viagens e o consumo da comunidade – o “pink money” – são o tesouro que reluz aos olhos do mercado do turismo.

Maceió tem potencial para receber esse público e, portanto, faz sentido trabalhar a ideia de acolhimento, tornando-se uma “cidade verdadeiramente acolhedora e progressista”, como disse o coordenador da Feira de Cultura e Empreendedorismo LGBT+, Luiz Heinrich à Secom de Maceió.

O evento acontecerá a partir desta sexta-feira (17/05) às 17h no Marco dos Corais.

A sigla LGBTQ+, transformada em representação mercadológica para o consumo de uma “experiência” socialmente agradável à beira da praia, é o pacote especial que o representante bolsonarista da extrema-direita na capital, JHC, encontrou para mediar sua prática óbvia de pinkwashing.

O termo em inglês quer dizer “lavagem rosa” e refere-se a atos institucionais e políticos que encobrem preconceitos e falta de políticas públicas reais para a comunidade. No entanto, sobra o saldo positivo para a instituição que mantém a aparência de “aliada da causa”.

Jota não é um prefeito simpático às questões da comunidade LGBT+, em sua bolha instagramável não existe sequer uma foto com lideranças políticas, militantes e ativistas de Direitos Humanos que lidam diariamente com essas pautas.

É o engodo liberal à moda do empreendedorismo que disputa os recursos simbólicos das lutas e interesses da comunidade.

Sem orçamento, Jota direcionou os órgãos responsáveis pela pauta na direção mais cômoda possível, sem confrontar ou gerar escândalos com a classe política que o acompanha.

Ele também não deixa, é claro, o fundamentalismo evangélico que demonstra estar próximo e reitera diariamente sua preferência em detrimento da laicidade democrática que deveria ser norma.

O Partido Liberal (PL), que tem Jota como expoente político na capital mais conservadora do Nordeste, é a sigla líder dos absurdos anti-LGBT, tornando o tema da sexualidade um malabarismo midiático que tem sucesso em um Brasil homofóbico e violento.

O que Jota tem a dizer sobre isso? O que pensa Jota sobre a situação social lamentável que as pessoas LGBT+ enfrentam sem políticas públicas que lhes assegurem cidadania?

A festa empreendedora de Jota, apesar de organizada com pessoas LGBT+, não nega o fato primordial de que qualquer política em direção à melhoria da vida social da comunidade implica em desagradar os homens supostamente heterossexuais conservadores e violentos de Alagoas.

Até agora, porém, a gestão de Jota está marcada pelas dores da comunidade LGBT+ e jamais será esquecida a desonestidade, o absurdo e o grande cinismo que acompanham esta gestão excludente e que transformam as cores do arco-íris em piada nos salões assépticos e exclusivamente heterossexuais do poder.

Não, Maceió não é acolhedora e progressista com os LGBTQ+ locais, marcados por uma institucionalidade abertamente homofóbica sob o comando da base política de JHC na Câmara dos Vereadores de Maceió e seus laços com a extrema-direita lgbtfóbica da política nacional.

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