O Palácio do Planalto entrou em modo de contenção de danos após as revelações envolvendo o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o Banco Master, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro.
Auxiliares diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negaram veementemente que tivessem conhecimento prévio sobre o contrato de consultoria firmado entre o escritório do ex-ministro e a instituição financeira. O clima é de tentativa de minimização do episódio.
Ministros palacianos buscam desvincular a imagem do governo de qualquer irregularidade, embora a CNN tenha apurado que a existência desse contrato foi, justamente, um dos catalisadores que apressou o pedido de demissão de Lewandowski, formalizado no último dia 10 de janeiro.
Em nota divulgada após a repercussão, Ricardo Lewandowski confirmou a prestação de serviços ao Banco Master, mas evitou detalhar o período exato de vigência do contrato.
A defesa do governo sustenta que não há conflito de interesses, sob o argumento de que o vínculo profissional teria sido encerrado antes de sua posse no Ministério da Justiça.
Segundo essa tese, Lula não teria sido informado sobre a relação comercial no momento da nomeação.
Entretanto, a agenda presidencial também entrou no radar das investigações jornalísticas. Lula chegou a se reunir fora da agenda oficial com Daniel Vorcaro.
Interlocutores afirmam que o presidente ouviu as demandas do banqueiro, mas foi enfático ao declarar que qualquer tema relativo à instituição deveria ser resolvido estritamente junto ao Banco Central, sem qualquer tipo de interferência política do Executivo.
O Fator Judiciário e a Estratégia do Governo
A trama ganha contornos mais complexos com a informação de que Lula se encontrou, em dezembro passado, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli , relator de investigações que envolvem o Master.
O encontro, que contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ocorreu justamente no momento em que os desdobramentos judiciais sobre o banco avançavam.
Apesar do visível desgaste político, a orientação que emana do gabinete presidencial é a de não adotar uma postura defensiva.
A estratégia desenhada por Lula e seus conselheiros é reafirmar publicamente a independência institucional da Polícia Federal e do Banco Central.
A ordem é sustentar que não houve conduta irregular por parte de membros do governo e aguardar o curso das apurações sem alimentar o embate direto com a oposição.
