
Ele falou à reportagem por duas vezes- na terça e na quarta-feira- perguntou-se sobre as alianças e os processos. Veja trechos:
O Palácio República dos Palmares, ao falar das virtudes dos seus candidatos à Prefeitura de Maceió fala, discretamente, dos defeitos do senhor: Lessa é ficha suja. O que diz?
Não sou eu quem tem ficha suja, mas o lado dele é que tem. Pode olhar: o Teotonio [Vilela Filho, governador] foi condenado duas vezes, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) [Lessa se refere à ação do programa Alagoas Mais Ovinos, em que Vilela teve de pagar duas multas, de R$ 5 mil, cada uma]. Dessa vez não existe mais essa estratégia de ficha suja contra mim.
E a condenação do TRE, em 2006? O MCCE diz que o senhor é inelegível.
Falta informação jurídica a esse pessoal. O MCCE não é isento em Alagoas. Por que não procura corrupção no Governo de Alagoas? Não procura porque é comprometido. Qual o problema do Ronaldo Lessa? Não tenho papas na língua, respondo à altura. Apenas repito o que os advogados dizem: essa matéria é transitada em julgado. Continuo dizendo que essa condenação é ridícula e o TRE deu 7 a 0 para o Teotonio. Por que? Eu dei aumento aos professores de todo o Estado. Qual o problema dar aumento? Não mudo minha posição. O MCCE é comprometido com esse Governo.
E o caso das Letras Financeiras do Tesouro Estadual? O senhor é processado nesta operação por um dos investidores, que não recebeu o pagamento pela operação. O Ministério Público também investiga o pagamento de R$ 106 milhões ao Paraná- neste caso, cita o governador Teotonio Vilela Filho.
Daqui a pouco quem processa o Ministério Público sou eu. Se existirem irregularidades nesta operação não será comigo. Não cometi nenhuma ilegalidade, defendi os interesses de Alagoas. Não me preocupo com isso.
O senhor foi condenado também por uma ação, movida pelo desembargador Orlando Manso, na entrevista a um jornal pernambucano em que o senhor o chamou de ladrão.
Quanto a isso, não inclui o Ficha Limpa. Ficha Limpa é improbidade, abuso de poder político.
Quantos processos o senhor responde?
Vários que existiam foram arquivados. Os que têm são as ações da Tribuna de Alagoas, em que se alega que eu era dono do jornal. Um absurdo. Tive que depositar um dinheiro em juizo que eu não tenho. Estou mostrando a minha incapacidade financeira nesta situação para poder recorrer.
E as ações de improbidade?
Havia 13. Fui excluído de algumas. Eram ações de improbidade mais calúnia. Hoje, respondo a três ações de improbidade. Quatro ou cinco por calúnia. E isso não me inviabiliza nesta eleição de forma nenhuma. Eu não era dono da Tribuna, cacete.
E Maceió? O senhor foi prefeito da capital em 1992. Vinte anos depois, a cidade se tornou a mais violenta do mundo. Quem foi o “gênio” desta façanha?
Não se pode falar dos prefeitos, nem da Kátia Born nem do Cícero Almeida. Isso é obra da exclusão social, obra deste Governo que está aí [Teotonio Vilela Filho]. Houve um abandono, até nas questões envolvendo os direitos humanos.
Semana passada, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, lançou o secretário de Infraestrutura, Mozart Amaral, à
Prefeitura. Mas, o clima de empolgação era quase nulo. O que diz sobre isso?
Renan quer levar adiante esta candidatura do PMDB, mais PDT, PC do B e outros partidos. Quanto ao Mozart, representa, sim, uma preferência do prefeito. Não critico. Mas, a realidade vai mostrando os candidatos.
Realidade quer dizer pesquisas dos partidos? O senhor está na frente, em todas.
Se o Mozart mostrar que o nome dele pode disputar a eleição, eu não tenho dúvidas sobre ele.
Mozart parece ter cara de vice, assim como o presidente da Câmara de Vereadores, Galba Novaes (PRB). Comente isso.
O Collor vem para cá neste final de semana. Vamos conversar.
O que vai pedir a ele?
Nada. Não peço nada para ele.
Refazendo a pergunta: qual a pauta?
Pedir que o PTB para marchar conosco. E conversar com o Euclydes [Mello, do PRB] que nos apoie. O ideal é o que der certo: Galba ou Mozart como vice. Também vou conversar com o Alexandre Fleming [do Psol] para que ele nos apoie nesta disputa. Também vou conversar com a Heloísa Helena.
Dinheiro. Quanto tem em caixa para disputar a eleição?
Nada, estou lascado em dinheiro. Tenho o povo, a cara e a coragem.