A Phyllomedusa bicolor é um anfíbio da Família Hylidae encontrado na Amazônia e conhecido pela sua utilização na medicina tradicional de alguns povos indígenas.
Da família das pererecas (Hylidae), apresenta discos adesivos na ponta dos dedos, que utiliza para escalar a vegetação (de hábitos arborícolas). É a maior espécie do gênero, podendo chegar a 11,8 cm de comprimento (comprimento rostro-anal) e também um dos maiores hilídeos da Amazônia.
Apesar de ser uma perereca, é chamada de sapo pelos povos que vivem nas florestas (indígenas, ribeirinhos e extrativistas). Os indígenas da língua Pano (Katukina, Kaxinawá) chamam esse anfíbio de Kambô ou Kampu, assim como também a aplicação de sua secreção (veneno) em seres humanos (É comum ouvirmos no oeste da Amazônia perguntarem: “Você já tomou Kambô?).
A Phyllomedusa bicolor é encontrada nas florestas e durante os meses de reprodução os machos vocalizam empoleirados em árvores e arbustos em alturas de até 10 metros. Os ovos são colocados sobre a vegetação nas margens de igapós e quando os girinos eclodem, caem no ambiente aquático. A distribuição dessa espécie de anfíbio compreende a Amazônia brasileira e também nas Guianas, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia.
Indígenas de algumas etnias (Katukina, Kaxinawá) retiram a secreção de coloração branca que esse anfíbio anuro exala ao ser molestado e a conservam em palhetas de madeira para depois realizarem a aplicação da “vacina-do-sapo”. Esse veneno da Phyllomedusa bicolor é rico em peptídeos e o animal utiliza como mecanismo de defesa, uma vez que vários predadores podem morrer ou então ter uma experiência desagradável ao tentar ingerir esse anfíbio.
A “vacina ou injeção-do-sapo” é aplicada em uma pessoa da seguinte forma: queima-se com um pequeno cipó (“titica”) o braço do homem (nas mulheres é feita na perna) fazendo-se vários pontos, por onde o veneno retirado da palheta é aplicado em cada uma dessas pequenas queimaduras. Os sintomas são quase que imediatos, a pessoa passa por um grande desconforto (um forte calor, náuseas, dor no estômago, vômitos, etc) durante aproximadamente 15 minutos, tendo um grande alívio após a retirada com água do veneno sobre sua pele.
Há séculos os indígenas utilizam o Kambô como uma forma de medicina da floresta, para fortalecer o sistema imunológico e também para afastar o “panema” (má sorte). Com a colonização do Acre, seringueiros aprenderam essa técnica e atualmente a aplicação da “vacina-do-sapo” já ocorre em várias regiões do Brasil, especialmente nos grandes centros urbanos.
Muitos dos que experimentaram essa vacina gostaram, mas nada existe comprovado cientificamente sobre os possíveis benefícios da aplicação da secreção bruta desse veneno em um ser humano. Foi observado que “in vitro” peptídeos isolados do veneno de espécies de Phyllomedusa apresentam ação antimicrobiana contra algumas bactérias (Ex. Pseudomonas aeruginosa), protozoários (Ex. Leishmania amazonensis, Plasmodium falciparum eTrypanosoma cruzy) e até a inibição também “in vitro” da infectividade do vírus HIV. Isso demonstra a grande importância que os anfíbios tem para os seres humanos com a possibilidade de descoberta de novos medicamentos.
São necessários mais estudos sobre esse rico potencial farmacológico dos anfíbios e também uma atenção especial das autoridades com o risco de biopirataria e ou de tráfico desses animais e de sua secreção e de impactos sobre as populações de Phyllomedusa bicolor.
Fonte: http://www.herpetofauna.com.br/Kambo.htm








