Justiça acata denúncia do MPPE contra delegado da Polícia Civil

Diário de Pernambuco

O delegado da Polícia Civil Carlos Gilberto Freire de Oliveira, 61, preso em flagrante por crime de concussão (extorsão cometida por funcionário público) irá para o banco dos réus. A Justiça acatou denúncia do Ministério Público de Pernambuco contra o acusado, que responde a processo desde novembro de 2012. A juíza Ana Cristina Mota, da Vara dos Crimes Contra a Administração Pública da Capital, determinou que, em até dez dias, a defesa apresente seus argumentos para dar sequência ao processo. Depois isso, serão marcadas as audiências para decidir o futuro do réu. Ele pode pegar uma pena de dois a oito anos de reclusão, se condenado.

Já na esfera administrativa, Carlos também está sob investigação e pode ser expulso da corporação, onde trabalha há mais de 26 anos. A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) abriu sindicância, porém, passados mais de seis meses, o processo não foi concluído. Segundo a assessoria de imprensa da SDS, o atraso foi provocado porque o acusado ainda não prestou depoimento formal – o que já deveria ter acontecido desde o início das investigações. Em todas as vezes que foi solicitado, a defesa alegou que ele está em licença médica.

Carlos atuava como plantonista do Complexo Policial da Várzea, no Recife. Ele foi preso em frente à reitoria da UFPE, no momento em que recebia R$ 700, exigido por ele para a liberação de um caminhão apreendido. Em denúncia à corregedoria, o dono do veículo, que afirmou ter sido vítima da extorsão, relatou que havia vendido o caminhão a outra pessoa, mas ela deixou de efetuar o pagamento das parcelas, por isso decidiu prestar queixa na delegacia.

O veículo foi encontrado e apreendido. Quando o dono foi resgatá-lo, porém, o delegado disse que ele só o teria de volta se pagasse R$ 1,5 mil, mas acabou aceitando receber metade do valor.

A vítima, momentos antes de ir ao local combinado para a entrega do dinheiro, acionou a corregedoria para que fosse feito o flagrante. O acusado seria encaminhado ao Centro de Triagem (Cotel), mas alegou que estava passando mal e foi levado ao Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), onde passou mais de uma semana até conseguir o habeas-corpus. O Diario de Pernambuco não conseguiu contato com a defesa do acusado.

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