Com agências
Doze crimes, 19 testemunhas. O cárcere privado mais longo da história do Brasil começa a ser julgado nesta segunda-feira, às nove da manhã (com duração prevista de três dias). Lindemberg Alves Fernandes, 25 anos, é acusado de matar Eloá Pimentel, em 13 de outubro de 2008.
Lindemberg será julgado no fórum de Santo André, na região do ABC Paulista.
Sete jurados vão ser sorteados entre 25 que deverão comparecer ao tribunal, e eles vão decidir se o réu é culpado ou inocente no crime que matou a filha do ex-cabo da Polícia Militar Everaldo Pereira dos Santos, condenado à revelia em 2009, pela Justiça de Alagoas, a 33 anos de prisão pela morte do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa, e seu motorista, Antenor Carlota.
No próximo domingo, o Fantástico mostra entrevista com o pai de Eloá. Ele está preso em Maceió.
Detalhes sobre o julgamento:
– Lindemberg vai ser julgado por 12 crimes, incluindo homicídio duplamente qualificado contra Eloá Pimentel (sem possibilidade de defesa e com crueldade), duas tentativas de homicídio (contra Nayara Rodrigues da Silva e um policial militar, que escapou de um tiro), cárcere privado (devido ao sequestro de quatro pessoas) e disparo de arma de fogo. Os crimes foram cometidos no dia 13 de outubro de 2008.
– Serão convocadas 19 testemunhas – cinco são exclusivas da acusação e vão ser ouvidas primeiro. O julgamento pode ir até as 21h no primeiro dia, segundo o advogado assistente de acusação, José Beraldo.
– As testemunhas exclusivas da defesa também são cinco, e são ouvidas na sequência. Há, ainda, nove testemunhas entre as chamadas de juízo: contam tanto para acusação quanto defesa e são ouvidas por último.
– Após todas as testemunhas se pronunciarem, os jurados tiram as suas dúvidas. Por fim, ocorre o interrogatório do réu e debates sobre o andamento do processo. São 16 horas com entrevistas, discussões e notícias.
– Depois de todos terem se pronunciado e os debates terminarem, os jurados se reúnem para decidir pela absolvição ou condenação. Passado esse ponto, a juíza Milena Dias vai ler a sentença e definir a pena dada ao réu.
– A pena pode ir de 50 a mais de cem anos de prisão. Pela legislação do país, no entanto, nenhum condenado pode cumprir mais de 30 anos de prisão.
– O auditório tem 182 lugares no total, divididos entre parentes, integrantes do Ministério Público, juízes do TJ-SP, a imprensa e o público interessado. O julgamento é aberto, de acordo com Beraldo.