Judiciário de portas abertas

Os números são ainda mais impressionantes quando se olha para os Juizados Especiais Cíveis

Manoel Alberto Rebêlo – O Globo

Graças às inovações tecnológicas introduzidas nos  últimos anos na Corte Fluminense e à enorme vontade dos magistrados de  fazer a diferença, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro atingiu  reconhecido grau de excelência e desenvolveu o modelo do Judiciário ágil  e eficiente de que o Brasil precisa.

Os números em 2011 são de  perder o fôlego: Na 1+ instância, foram recebidos 1.364.166 processos e  julgados 1.633.238. Já a 2+ instância recebeu 188.737 recursos e julgou  190.060. Nos dois casos, chegou-se a um índice de produtividade de 101%.

Os  números são ainda mais impressionantes quando se olha para os Juizados  Especiais Cíveis. No ano passado, eles receberam 528.543 processos e  julgaram 631.070, ou seja, foram julgados mais processos do que aqueles  que entraram, atingindo-se a marca de 115%.

Cada vez mais consciente dos  direitos da cidadania, a população encontrou nos Juizados uma “Justiça  de Bairro”: mais próxima, rápida, informal, operosa, eficiente e  gratuita.

O resultado foi um aumento avassalador de novas ações, fazendo  com que os Juizados recebam hoje metade das demandas que chegam ao  Poder Judiciário do Rio. O TJ-RJ tem atualmente em seus quadros 823  magistrados, sendo 179 desembargadores e 644 juízes.

Levando- se em  conta os processos recebidos e julgados e o total de dias trabalhados  por ano — 220 dias ou 1.760 horas —, a magistratura fluminense trabalha  em cerca de 620 processos por hora! Podendo-se assim dizer, sem grandes  arrepios matemáticos, que a cada hora um juiz decide a angústia e a  esperança do cidadão comum. Cada processo tem em média 200 páginas e  mede 32 centímetros.

Colocados lado a lado, seria possível percorrer uns  350 km por ano, isto é, ir do Rio a Búzios e voltar ou encher 14  estádios, com a capacidade de 78.000 torcedores. Vale lembrar que o  Código Civil tem 2.046 artigos.

E o Código Penal, outros 361. E o juiz  precisa analisar tudo com cuidado para tomar decisões que preservem a  sociedade e respeitem as leis. Nesse contexto, o diálogo com o  público externo ocupa lugar preponderante, principalmente quando nossa  sociedade percebe que a morosidade, mesmo diante de números incríveis,  ainda é um dos entraves do Judiciário.

Assim, a comunicação é uma das  missões que o TJ-RJ também abraçou: nos últimos dois anos divulgamos  mais de cinco mil decisões, a maioria com textos publicados na íntegra,  para uma imprensa cada vez mais enxuta e seletiva, que recebe  informações por meio da internet.

Sem falar que a apuração e a  divulgação das decisões devem ser realizadas em um espaço mínimo de  tempo. Além de serem “decodificadas” para o público leigo.

Nesse  mister, o TJ-RJ tem atendido com a máxima transparência os pedidos  exclusivos de entrevistas. Ao prestar informações com transparência e  confiabilidade, estamos zelando pela imagem do Poder Judiciário, mas  também mantendo um compromisso de respeito com o cidadão.

Ainda em respeito à sociedade, mantemos diálogo franco com os outros Poderes e com vários órgãos públicos. Para  exemplificar, o Tribunal de Justiça do Rio firmou convênio, no ano  passado, com o Tribunal de Contas da União para que participe da  formatação de nossas licitações.

Além disso, estamos de portas  abertas para o Conselho Nacional da Justiça: oferecemos uma sala  permanente no nosso fórum central para as suas reuniões. Nas várias  frentes de batalha, o TJ-RJ tem mostrado que é uma força em prol da  sociedade fluminense.

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