José Costa, um leão da oratória 

Coaracy Fonseca – é promotor de Justiça e ex-procurador Geral de Justiça de Alagoas

Conheci o advogado José Costa nos idos de 1982, quando de sua candidatura ao cargo de governador do Estado, pelo MDB.

Alagoas tinha perdido a musculatura progressista, após a marcante passagem de Muniz Falcão.

Ainda vivíamos um período de grandes oradores, dotados de robusta cultura humanística.

Era quase obrigatória a passagem pelo quadro dos grandes jornais do sudeste do País, ou locais, como foca ou auxiliar da redação para formar uma boa pena, a dorsal de um orador de estilo.

A nossa memória caminha “de duque” com as mãos que acariciam as teclas da máquina. Disse Evandro Lins e Silva que os bons oradores são antes escritores de escol.

Ontem, tivemos um excelente bate papo sobre a história política de Alagoas, timbrada de grandes embates, frutos de uma elite violenta.

Relembramos, de passagem, um Júri de grande repercussão em Alagoas, no qual atuamos em lados opostos; eu, na defesa, no auge dos meus 22 anos; ele, na acusação.

O julgamento varou a madrugada, o debate se dava entre uma criança e um Titã. A casa estava cheia.

Resultado apertado, 4×3. As minhas certezas continuam inabaláveis: o meu cliente era inocente. Faltou-me tempo e um grão de sal da experiência.

Contudo, a oratória do Dr. José Costa era exuberante e candente. Eu não sabia que estava diante de um resistente e desassombrado defensor de presos políticos.

Ontem ressuscitamos mortos ao reabrirmos uma portinhola da História, ao relembrarmos de vultos do nosso passado.

José Costa continua entre nós, os alagoanos, traz em seu espírito a garra de um jovem e uma MEMÓRIA que não podemos prescindir.

Como dizem os antigos: é um PRIMUS INTER PARES.

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