Jornalistas enfrentam novas demissões em todo o país

Correio do Brasil

O mercado de trabalho nas principais empresas de comunicação do país tem sofrido um duro golpe, nos últimos dias. Neste sábado, o Grupo Estado – que edita o diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo – confirmou uma nova onda de cortes de jornalistas. Desta vez, as demissões atingem os profissionais da Agência Estado (AE). Não apenas no Sudeste, mas mas demais regiões brasileiras tem havido cortes nas redações.

Segundo o site especializado em mídia Portal Imprensa, o fotógrafo Carlos Pupo e os repórteres José Roberto Castro, Ana Kátia, Roseli Lopes, Eulina Oliveira e Ronald Lincoln Jr, repórter de esportes da sucursal do Rio de Janeiro, estão entre os desligados da empresa. A justificativa para as demissões seria a crise financeira que atinge o país e, consequentemente, o veículo, mas os sindicatos profissionais da categoria rejeitam estas explicações, sob o argumento de que o lucro dessas empresas tem se mantido, apesar do revés econômico.

Procurado, Daniel Parke, diretor da AE, disse que “não tinha nada para falar sobre o assunto” e pediu para a reportagem procurar Francisco Mesquita Neto, diretor-presidente do Grupo Estado, o único que poderia comentar os cortes. A assessoria de imprensa do Grupo Estado diz que não comenta desligamento de funcionários.

Preocupado com as demissões, o sindicato dos jornalistas do Estado de São Paulo convocou uma reunião com Mário Paz, coordenador de Recursos Humados do Grupo Estado para falar sobre os cortes, que foram omitidos da entidade.

– O SJSP não foi procurado pelo Grupo Estado. Lamentamos as demissões e a forma com são direcionadas, sem transparência – afirma o diretor Vitor Ribeiro.

Cortes em série

No Rio de Janeiro, além dos cortes promovidos, recentemente, na redação do diário conservador cariocaO Globo, o diário popular O Dia promoveu, ao longo das últimas semanas, o corte de 40 profissionais de imprensa e encerrou a circulação de cadernos. No Paraná, os cortes atingiram 11 profissionais de imprensa da Gazeta do Povo.

De acordo com Paula Mairan, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) os salários dos funcionários de O Dia “estão em atraso há dois meses”:

– O pagamento do plano de saúde também não estava sendo pago. A situação da categoria é dramática. Estamos vivenciando uma crise anunciada que se arrasta há dois anos em razão do monopólio da comunicação. O Sindicato denunciou recentemente a concorrência desleal à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Para a jornalista a crise atinge o modelo tradicional de negócios no setor:

– O impacto nas relações de trabalho, cada vez mais precárias, é muito grande. Imprensa e sociedade perdem com o desmantelamento de uma estrutura destinada à informação relevante e imparcial. Precisamos aumentar a mobilização da nossa categoria para discutirmos novas formas de fazer jornalismo. Em relação a O Dia, o Sindicato está acompanhando o caso e tomando as medidas judiciais necessárias a garantia dos direitos trabalhistas.

Sindicato condena

No Sul do país, o Grupo Paranaense de Comunicação, que edita o jornal curitibano Gazeta do Povo, alegou que “a crise que afeta Brasil e o mercado de comunicação justifica a readequação de operações, equipes e projetos do veículo.”

De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor-PR), os cortes efetuados na semana passada atingiram jornalistas e gráficos. Em nota, a entidade repudia os cortes:

“O Sindijor condena, veementemente, demissões como modelo de gestão para combater qualquer crise, ignorando o fato de que não se faz jornalismo sem jornalistas. Foram demitidos, inclusive, profissionais premiados, o que mostra a desvalorização desses trabalhadores que fazem a imagem do jornal. Por outro lado, na contramão da crise, a Gazeta do Povo mantém os altos cargos da burocracia da empresa e com salários mais altos. A entidade também condena essa prática que tornou-se recorrente desde o segundo semestre do ano passado. Em agosto de 2014, 23 profissionais haviam sido demitidos pelo jornal Gazeta do Povo. Seja no formato das demissões massivas ou mesmo a conta-gotas, o saldo final é uma redução drástica de profissionais. Ao todo, entre 2011 e 2014, o GRPCOM demitiu 78 profissionais, sendo 43 da Gazeta do Povo, 25 da RPC-TV e 10 da Tribuna do Paraná, que se somam às 13 do ultimo mês na Gazeta. A entidade que defende os trabalhadores registrou que, nos últimos dois anos, dez empresas no estado demitiram 156 profissionais. Ao todo, foram 287 demissões no período, em rádio, TV e jornal. O SindijorPR se compromete a dar todo auxílio jurídico aos jornalistas e já prepara medida judicial contra as recentes demissões. Os casos também serão levados ao Ministério Público do Trabalho, devido ao fracionamento das demissões, uma tentativa de descaracterizar dispensa coletiva, prevista na Convenção dos jornalistas”.

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