Uma coisa é o prefeito JHC dizer que é candidato a governador.
A outra são as condições objetivas, práticas para isso acontecer.
Uma pré-campanha a governador é cara. Além do calendário de visitas, também é preciso fechar apoios de prefeitos, vereadores, lideres comunitários, puxa-sacos, laranjas e por aí vai.
Prefeitos ligados a Renan Calheiros e Arthur Lira fecharam compromisso com Renan Filho.
Pode haver traições? Lógico que sim. Mas elas teriam de ser em grande quantidade, e suficientes para a mesa do voto descambar para JHC.
Quando João Lyra decidiu se candidatar a governador, era um empresário de sucesso, que mostrava a todos não ter nada a perder.
– Meu querido, eu tenho tanto dinheiro que eu poderia comprar um transatlântico e viajar pelo mundo, me disse JL.
E tinha mesmo. Gastou uma fortuna na pré-campanha e outro tanto na etapa seguinte, a campanha de fato e para valer. Perdeu a eleição.
O vice Celso Luiz, presidente da Assembleia, fechou apoios não apenas entre prefeitos mas também com os deputados estaduais. A Assembleia Legislativa estava em peso com JL. Perdeu a eleição, foi capturado nas investigações da Operação Taturana. Fim da carreira política.
Talvez um ou dois deputados estejam com JHC.
“Ah, mas os vereadores de Maceió dizem que o prefeito será candidato”, alguém lembra.
Kelmann Vieira é um deles. Mas Kelmann faz isso porque não tem o espaço que crê merecer nem no calheirismo nem no Governo Paulo Dantas.
Como não assistimos JHC em pré-campanha, podemos especular uma possível saída dele da gestão municipal – onde foi eleito com mais de 80% dos votos- e ir para o tudo ou nada ao Governo.
João Campos, prefeito de Recife, fará isso. Vai enfrentar a chance de reeleição da governadora Raquel Lyra. Tem (muita) chance de ganhar, ainda mais mostrando o presidente Lula. Raquel não tem a mesma chance com Bolsonaro porque ele está de tornozeleira.
JHC, presidente estadual do PL, se afastou há tempos de Bolsonaro. Lula escolheu Renan Filho como seu candidato. O calheirismo é favorito, mas não absoluto. Eis a pequena brecha para o prefeito passar.
Semeando o próprio nome, o prefeito de Maceió pode colher algum fruto maduro e avaliar melhor o cenário. Escolheu manter o clima de suspense. É um striptease ao contrário. A nudez não mostra tudo, as peças de roupa vestidas passo a passo revelam melhor os mistérios.
“Nunca foi pecado, sempre foi política” (Ana Cláudia Laurindo, livro Deus e Política: Enredo da Morte no Brasil).
