Repórter Nordeste

Ipea: Violência no Brasil é semelhante a da Europa Medieval

idademedia

A projeção é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): “nos últimos 35 anos, ocorreu cerca 1,5 milhão de assassinatos no Brasil”,  “o que levou o país à condição de campeão mundial em homicídios. Jovens, negros e com baixa escolaridade são a maioria das vítimas”.

O diagnóstico é do relatório “Violência e Segurança Pública em 2023: cenários exploratórios e planejamento prospectivo”.

“A naturalização da morte do outro chegou a tal ponto que parcela significativa da população concorda com o espetáculo dos linchamentos nos postes, agora apreciados na internet. Muitos acham natural a ordem dada a um maquinista para que um trem, no Rio de Janeiro, passasse sobre o corpo de um indivíduo que, supostamente, acabara de ser morto, a fim de não gerar atraso nos horários das composições”.

E continua: “Da mesma forma, a eliminação pura e simples de criminosos, suspeitos e indesejáveis, a liberação de restrições para a aquisição de armas de fogo e o trancafiamento de menores e maiores infratores em porões medievais são medidas apoiadas por grande parcela da população”.

O quê chama a atenção? a violência- eis um ponto fundamental no relatório- é semelhante as da Europa dos séculos 13 e 16- ou seja, a época das Cruzadas, das grandes navegações (e extermínio das populações indígenas nas américas):

“São tempos bárbaros que nunca nos abandonaram e que tonificaram a escalada da violência em face do adensamento populacional ocorrido nos grandes centros urbanos nas últimas décadas. As taxas de homicídio no Brasil, hoje, são parecidas com as que vigiam em muitos países europeus – como Inglaterra, Alemanha, Suíça e Holanda – entre os séculos XIII e XVI, no limiar do Renascentismo. Para cultivar um futuro de paz, assim como os europeus lograram, há uma imperiosa e urgente tarefa a se fazer. No sentido de resgatar os princípios humanistas, o que deve ser feito passa por desnaturalizar o fenômeno da criminalidade violenta e por investir na racionalidade, no método e no planejamento”.

Solução? “Para cultivar um futuro de paz, assim como os europeus lograram, há uma imperiosa e urgente tarefa a se fazer. No sentido de resgatar os princípios humanistas, o que deve ser feito passa por desnaturalizar o fenômeno da criminalidade violenta e por investir na racionalidade, no método e no planejamento”

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