Zero Hora
Quase três meses após o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, quatro jovens feridas ainda permanecem internadas em hospitais de Porto Alegre. Na manhã desta sexta-feira, uma delas, Renata Ravanello concedeu, por telefone, entrevista à Rágio Gaúcha.
Renata, 25 anos, é funcionária concursada da prefeitura da Júlio de Castilhos e mora em Santa Maria. Por ter cerca de 20% do corpo queimado, atingindo os dois braços e o pé direito, ela foi transferida para o Hospital de Clínicas no começo da tarde de 27 de janeiro.

Confira alguns trechos da entrevista:
Como tem sido esses três meses de recuperação?
Os primeiros dias foram os mais preocupantes. Foram 26 dias de CTI (Centro de Terapia Intensiva), até melhorar bem a parte pulmonar. Depois vim para o quarto e tudo ficou mais tranquilo, pois pude ficar mais perto da minha família. Meus pais estão me acompanhando de forma integral, porque ainda não consegui ficar totalmente independente. Mas, graças a Deus, o tratamento está ocorrendo bem. Mas ainda não há previsão de alta.
Como está a sua recuperação?
Pela parte respiratória eu já poderia ter tido alta, embora deve seguir em acompanhamento por mais cinco anos. Mas ainda preciso me recuperar das queimaduras.
Você tem acompanhado as notícias sobre as responsabilizações pela tragédia?
Eu acompanho por meio da TV e da Internet. Por mais que a gente saiba que vá demorar, pois é extenso e envolve muita gente, espero que não fique ao acaso.
Você mantém contato com amigos que estavam com você no momento do incêndio?
Tenho contato com amigos por meio da Internet, das redes sociais e por telefone. Quando eles podem, também me visitam. Dos meus amigos que estavam lá, fui a única a sofrer queimaduras. Os outros tiveram problemas respiratórios, mas estão bem. Naquela noite, estávamos em mais ou menos umas 10 pessoas. Todos sobreviveram.
Você se lembra de como foi salva?
A gente estava bem na frente do palco. Vimos o início do fogo. Me lembro de chegar próximo da porta e caí, então um rapaz me resgatou, mas não me lembro do nome dele. Uma das minhas amigas também foi socorrida. Os outros conseguiram sair por conta própria.
Que mensagem fica depois de uma experiência tão traumática?
Com certeza essa experiência é traumatizante. Mas ela também faz a gente ver o outro lado, o da questão da saúde pública, por exemplo. Foi uma operação tão grande e que deu tão certo, que faz com que as autoridades comecem a olhar com um olhar mais humano para a melhorar atendimento pelo SUS, que nos tratou e continua nos tratando tão bem. Espero que a saúde pública possa receber mais investimentos, para melhorar a saúde de todo mundo. Para aqueles que ainda se recuperam ou perderam amigos e familiares, desejo que consigam se confortar e que tentem levar sua vida da melhor forma possível.