A recente eleição presidencial na Bolívia, marcada por uma virada à direita e tensões geopolíticas, tem sido interpretada como um possível presságio para o cenário eleitoral brasileiro de 2026 — especialmente diante da crescente interferência dos Estados Unidos na política latino-americana.
A Bolívia realizou seu primeiro turno presidencial em 17 de agosto de 2025, com candidatos de direita liderando a disputa pela primeira vez em 20 anos. A esquerda, representada pelo partido MAS (Movimento ao Socialismo), sofreu uma fragmentação interna, agravada pela exclusão de Evo Morales da corrida e pela renúncia de Luis Arce à reeleição.
Os EUA, sob o governo de Donald Trump, têm exercido influência indireta no pleito boliviano, por meio de declarações públicas, apoio a candidatos conservadores e interesses econômicos ligados ao lítio — mineral estratégico para a indústria de tecnologia
No Brasil, o governo Lula já enfrenta sinais concretos de interferência americana. Trump impôs tarifas de 50% sobre exportações brasileiras e sancionou autoridades como o ministro Alexandre de Moraes, alegando perseguição política contra Jair Bolsonaro.
A medida foi interpretada como uma tentativa de deslegitimar o sistema judicial brasileiro e favorecer a extrema direita nas eleições de 2026.
Além disso, Eduardo Bolsonaro tem atuado nos EUA com apoio de figuras como Steve Bannon, buscando pressionar a Casa Branca a intervir diretamente no cenário político brasileiro.
A eleição boliviana serve como um termômetro regional:
– Fragmentação da esquerda: tanto na Bolívia quanto no Brasil, há sinais de desgaste e divisão interna.
– Ascensão da direita com apoio externo: candidatos conservadores ganham força com respaldo ideológico e econômico dos EUA.
– Judiciário como alvo: em ambos os países, instituições judiciais são atacadas por lideranças da extrema direita, com apoio internacional.
A Bolívia pode, portanto, ser vista como um laboratório político para estratégias que podem se repetir no Brasil. A interferência americana — seja por tarifas, apoio a candidatos ou pressão diplomática — já está em curso e deve se intensificar à medida que se aproxima o pleito de 2026.






