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Imprensa achincalha Deodoro, que mandou destruir jornal

Herói da guerra do Paraguai,o marechal Deodoro chegou à presidência da República após o golpe de Estado que derrubou o imperador Dom Pedro II. Inimigo pior, porém, não estava no campo de batalha. Mas na imprensa. Ela era que descascava e despia o generalíssimo para a multidão, avacalhava as medalhas que carregava com orgulho, arrastava sua moral para a sarjeta.

Eduardo Prado, a Revista de Portugal, chamou o presidente de “uma nulidade, ambicioso, prepotente”. Só não mandou destruir o jornal porque ele estava em Portugal. Mandou, todavia, arrebentar a Tribuna Liberal por reproduzir o texto. Refeito, o jornal vendia ainda mais.

Os adjetivos contra o presidente escalavam: “zero fardado”, “insignificante”. Na guerra do Paraguai não liderou um exercito mas um batalhão.

A Tribuna foi destruída, o revisor assassinado. Em fúria, o povo foi para as ruas. Queria respostas do presidente. O ministro Campos Sales pediu demissão, Deodoro recusou: ameaçou deixar o Governo se isso acontecesse.

Acuado, Deodoro prometeu abrir um inquérito para apurar quem destruiu a Tribuna. Era uma estratégia para ganhar tempo. Antes do resultado, as investigações foram para a gaveta.

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