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Implicações do voto na caridade

Seja bem-vindo o tempo que assiste o renovar de interesses, a maturação das convicções repassadas entre gerações para o benefício da vida!

Cresce entre os espíritas brasileiros a busca pelo debate atualizado sobre temáticas que estavam congeladas na aceitação acrítica, e por isso mesmo, arrastavam poder dogmático sobre as frentes de atuação, de modo particular, nos caminhos da assistência espírita.

Temática ampla, campo fértil para a libertação ou aprisionamento da mentalidade que induz prática social, relacional, cultural. Quiçá a escolha pelos caminhos da libertação se amplie!

A caridade é um dos temas prediletos dos espíritas, de modo geral.

Transformada em passaporte etéreo para as moradas de elite nos imaginários campos celestiais, movimenta milhares de cestas básicas, distribuição de alimento cozido, doações de objetos para bazares esporádicos ou permanentes, espalhando nas consciências um anestésico especial, capaz de levar os seres ao gozo seletivo de existências privilegiadas, mantendo a lógica excludente das sociedades desiguais intactas.

Hoje nos deparamos com a volta da fome no Brasil, resultado prático de políticas de governo em caráter econômico.

Os espíritas devem acirrar as campanhas por doações de alimentos ou enfrentar o mau contexto junto aos setores de perfis políticos humanizados?

A comunidade católica progressista representada pela ala que apoia o Papa Francisco distribui projetos e debates com o título “Economia de Francisco e Clara”, em franca oposição às políticas liberais destruidoras de vida. Pode ser um exemplo interessante. Também pode ser alinhado ao feito caritativo tradicional, sem perder o mérito da boa ação, pois que a esta acrescenta informação e possibilita reflexão, debate, fomento de mudanças importantes no cenário social religioso.

Percebemos que muitos indivíduos manifestam repúdio pelo ato simplista de barganhar favores com a espiritualidade através da doação de cestas alimentares, embora reconheçam que a fome no corpo pede alimento agora.

Assim sendo, talvez esteja faltando nesta cesta espírita um alimento novo, que pode ser acrescentado pela via cognitiva, rico de teor mental elevado  adquirido da compreensão política macro. Falamos da sensibilidade social fundamentada na importância na igualdade de direitos e acessos aos bens primários deste mundo, o direito de viver, que é muito mais complexo do que apenas nascer aqui.

Assim vamos compreendendo que o próprio sentido de caridade pede evolução.

Alguns insistirão em aprisioná-la no conceito utilitarista que impulsiona a busca por “bônus-hora”, mas muitos outros descortinam o entendimento de que se a miséria e a fome são males sociais, merecem o combate na nascente, com vista a proteger o futuro.

Se o que gera estes flagelos humanos são as políticas econômicas legitimadas nas alçadas dos poderes, é também para este ponto que nos compete fazer convergir a luta justa por um mundo de irmãos.

Como lograr êxito sobre este propósito?

Aceitando que ao encarnar na Terra, já respiramos socialmente. Como partes da sociedade temos a legitimidade de atuar politicamente sem trair o projeto da evolução. Nós podemos escolher o fortalecimento de ideias societárias fraternais, e isto implica em adesão política partidária também.

Ou seja, o voto contra a miséria e a fome, são outras expressões da caridade espírita!

A doação do alimento associada à ações políticas progressistas é um caminho necessário para esta hora de miséria social e moral que assola o mundo, e de modo especial, o nosso país.

A neutralidade política (que não existe) é grave sintoma de anti-caridade entre espíritas no Brasil contemporâneo.

Urge defendermos a vida e trabalharmos pela retirada de Jair Bolsonaro da presidência do Brasil.

 

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