BLOG

Igrejismo bolsonarista e futuro brasileiro

O comportamento igrejeiro do eleitor permanente de Bolsonaro segue assentado em convicções de autovalor, sob uma ideia renovada sobre si, como participante “entendedor” de política, após a onda de fake news e reafirmação de preconceitos  latentes contra minorias e opositores ao fascismo. Ele se tornou importante, definidor de projetos sociais e acima de tudo, admirado pelos pares.

Uma mistura de ignorância com presunção, que ilude na mesma proporção que alimenta um processo que faz intercâmbio entre a subjetividade e a prática de vida. Neste miolo mora a violência.

Não basta designar esta camada com frases raivosas ou bordões de esquerda, é importante estudar as necessidades plantadas na alma humana, nos sistemas competitivos, geradores de desigualdades. Neste recorte, percebemos que nem mesmo o legado virtuoso do cristianismo obteve êxito, quando os sonhos de valorização social focados nas individualidades ganharam as religiões brasileiras tradicionais e correlatas, mesmo as mais recentes.

Chegar perto do povo é um excelente antídoto contra o romantismo intelectual. Ajuda a entender a história política com mais precisão, mesmo que ainda tenhamos como parâmetro as bases ideológicas. O momento exige a atualização retórica das explicações fenomênicas.

Este povo brasileiro fiel ao bolsonarismo não se atrai por Direitos Humanos porque não se percebe nas raias dessas lutas, se julga acima, mesmo quando enfileira nos patamares afetados. Aprendeu com líderes políticos próximos, autoridades religiosas nas quais confia, ou simplesmente aderiu ao chamado viril da truculência, para manter-se próximo do símbolo de desconstrução de tudo o que a “democracia” ou a “liberdade do outro” lhe tirou.

Não demonstram solidariedade nem sensibilizam seus olhares diante de diásporas e genocídios. A limpeza étnica, social, lhes apraz na mesma medida que condena a diversidade de pensamento e fé entre outros comportamentos humanos libertos.

É uma igreja com pulsão destruidora. Um público que clama pelas violências institucionais. Ele está se organizando em torno de púlpitos, reuniões sociais, encontros nacionais e vigílias ininterruptas através do aparelho celular.

Não sofrem com as perdas de direitos constitucionais? Não choram as vidas daqueles a quem amam? Permanecem humanos mas redirecionam sentidos de acordo com os interesses das lideranças que seguem. Deturpam os significados para atribuírem culpas ao divergente.

É um conglomerado marcado por vertentes ortodoxas mas também por um senso de punitivismo que não exonera nem mesmo pessoas próximas ou parentelas, quando estas se diferenciam de suas bases políticas.

A partir destas análises podemos afirmar que o futuro brasileiro pode ser muito desafiador se estas bases bolsonaristas conseguirem manter líderes nos poderes constituídos, em todas as esferas decisórias possíveis.

O cenário global afirma que para aplicar golpes nas democracias e matar o alcance do Direito não precisa deter o curso glorioso do capitalismo, pois ele sabe ser sinuoso e buscar seiva lucrativa em qualquer situação social.

Já não adianta buscar resolver questões tão sérias investindo energias no personalismo de esquerda, como fazem os de extrema direita. Pois os caminhos desiguais nascem nos propósitos distintos.

Sejamos mais curiosos e disciplinados com as nossas emoções, o cenário pede olhares profundos e contemplações silenciosas, para embasar atuações políticas capazes de aumentar o potencial de resistência com sagacidade.

O que acontece é grave. O que pode acontecer é espantoso, mas ainda é possível sonhar e agir na contracultura global, desde o Brasil.

SOBRE O AUTOR

..