Por vezes mergulho em minhas memórias, para de todo, não me perder de mim. Tenho imenso apego à identidade. Não desejo esquecer quem sou, e muito menos, porque sou assim.
Nada a ser confundido com personalismo ou egocentrismo. Ter identidade é guardar no imo do ser um ancoradouro particular onde podemos nos amarrar em dias de tempestades.
Já vi muitos barcos indecisos soçobrarem à menor marola. Gente demasiado apegada ao status quo, uma ilusão de ter e ser melhor que truque de mágico para iludir pessoas.
Ouvi frases vencidas de quem desaprendeu a ser profundamente, vivendo do aparente concedido por outros estamentos de iludidos. É assim mesmo.
Vi gente mudando discurso, passando de acusação à defesa por senhas ralas que jamais levaram além da primeira sala. Mas foi ainda mais triste ver gente discursando uma coisa e praticando outra, no jogo sem regra do dar-se bem; ares de eterna desconfiança, falsidade que vai e que vem.
Não! Asco me vem antes mesmo da compreensão. A alguns ignoro os indecorosos atos, de tão ignorantes que eles já são: nada sabem de si mesmo.
Liberta da rabeira do status quo, me vejo. Sobreviver, por vezes, é sentir o chão; pisar sobre algo, que não seja o rosto de alguém, a paixão de alguém…
E viver, é saber meu próprio nome, de onde vim e por onde passei, sem importar o amanhã, pois ele nunca chega para ninguém. Eu sou.




