Após erro, IC refez laudo sobre arma que matou advogado; alvo seria juiz

Na época do assassinato, a Polícia Civil errou na elaboração do laudo. Apontava que o advogado tinha sido morto pr uma arma 357. Mas, desde quando as investigações foram refeitas, ano passado, descobriu que a arma que matou Nudson era uma pistola ponto 40- de uso exclusivo da polícia

Apesar da resistência do Tribunal de Justiça de Alagoas em encaminhar, ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o pedido de investigação do plano, supostamente elaborado por um desembargador do tribunal, para matar o juiz da 4a Vara Cível de Maceió, juiz Marcelo Tadeu, os detalhes da trama- em especial a arma usada no crime- ganham contornos fora do controle. E que vão além dos muros do TJ.

O centro do crime é a morte do funcionário da empresa Qualitec – que prestava serviço para o Grupo Empresarial OAS – o advogado mineiro Nudson Harley Mares de Freitas- morto no dia 3 de julho de 2009 – uma sexta-feira – na avenida João Davino, em Maceió, uma das mais movimentadas da área nobre.

Ele foi morto por engano. No lugar dele, seria Marcelo Tadeu.

Na época do assassinato, a Polícia Civil errou na elaboração do laudo. Apontava que o advogado tinha sido morto pr uma arma 357. Mas, desde quando as investigações foram refeitas, ano passado, descobriu que a arma que matou Nudson era uma pistola ponto 40- de uso exclusivo da polícia.

A arma do crime nunca foi localizada. O crime corre o risco de arquivamento, apesar das investigações da PC continuarem- e seguirem em segredo de Justiça.

As balas que mataram Nudson estavam no Instituto de Criminalística (IC). E foram retiradas de lá pelo juiz Marcelo Tadeu- o que acabou na revisão do laudo.

A Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasilia, começou a investigar uma organização criminosa, em que é citado um desembargador do Tribunal de Justiça em Alagoas e um empresário, responsável por elaborar um plano para matar o juiz Marcelo Tadeu.

Segundo ofício do Ministério Público Federal, encaminhado a PGR, em 24 de fevereiro Marcelo Tadeu seria morto no dia 3 de julho de 2009 – uma sexta-feira – na avenida João Davino, em Maceió, uma das mais movimentadas da área nobre.

A arma, uma pistola ponto 40, de uso exclusivo da policia, foi retirada do 59o Batalhão de Infantaria Militar – a sede do Exército alagoano. Ela estava guardada junto a outras, em um paiol do Tribunal de Justiça – que ficava no Exército. Constava em processo como prova de outros assassinatos. O preço do crime: R$ 20 mil. Após o crime, a arma voltaria ao Exército. E, ficaria como até hoje está: escondida. Nunca foi feito exame de balística.

O plano não deu certo porque o funcionário da empresa Qualitec – que prestava serviço para o Grupo Empresarial OAS – o advogado mineiro Nudson Harley Mares de Freitas, há 15 dias em Maceió, foi morto no lugar do juiz.

Ele estava vestido de calça jeans e camisa polo, mesma roupa que Marcelo Tadeu usava. E ambos, que não se conheciam, estavam a 50 metros de distância um do outro. O juiz Marcelo Tadeu estava com a família no estacionamento de uma farmácia, na avenida João Davino. Seguiria para casa, no bairro de Guaxuma, em Maceió.

Tão grave é o assunto que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, quando esteve em Alagoas há duas semanas, conversou com Marcelo Tadeu e pediu para encontrá-lo, em Brasília, nas próximas semanas. Integrantes do Tribunal de Justiça de Alagoas contactaram a ministra corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, para que providências sejam tomadas. Tudo corre em segredo de Justiça.

Na 4a Vara Cível de Maceió – que cuida também de processos de usineiros- lavrou decisões incômodas, como tomar bens dos milionários do setor do açúcar e álcool.

Mas, as atividades como juiz eleitoral no sertão alagoano trouxeram riscos maiores. Tadeu cancelou doze mil títulos eleitorais e acusou um vice prefeito de ter diploma falso. Marcelo Tadeu cassou o mandato do prefeito -irmão do desembargador que teria elaborado o plano de morte- e do vice. Eles recorreram ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e perderam. Reverteram a decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas, por causa do tempo, o prefeito só ficou dois meses na Prefeitura.

“Como supostos interessados na sua morte, estariam usineiros que teriam perdido bens por força de decisões suas, além do aparente e surreal interesse de um membro do poder judiciário de Alagoas”, diz um trecho do documento encaminhado, pelo MPF de Alagoas, à Procuradoria da República, em Brasília.

“Não foi feito exame de balística. Porque não encontramos a arma, que era uma pistola ponto 40. Arma de uso da polícia”, disse a delegada Scheila Carvalho.

“Está citado, na investigação, que esta arma saiu do 59o BIMTz. Mas, não quero entrar em detalhes”, confirmou a delegada.

“É uma investigação complexa. Como delegada, procuro fazer com que qualquer crime tenha solução, independente da vítima. Trata-se de uma vítima. É lamentável deixar uma pessoa ser responsabilizada por um crime de homicídio. Não gostaria de deixar este crime impune. O que for possível de ser fazer, vai ser feito”, disse.

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