O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos–PB), voltou a defender publicamente o modelo atual de emendas parlamentares e rebateu críticas de que o volume desses repasses comprometeria a governabilidade do governo federal. Segundo ele, a impositividade das emendas representa uma “conquista institucional” e fortalece a autonomia do Legislativo frente ao Executivo.
Em declarações recentes, Motta afirmou que não há evidências de que o modelo atual tenha impedido qualquer governo legitimamente eleito de conduzir sua agenda no Congresso Nacional.
Emendas como símbolo de independência
De acordo com o presidente da Câmara, as emendas impositivas — que obrigam o governo a liberar os valores indicados por deputados e senadores — são fruto de uma mudança estrutural na relação entre os Poderes. “Não vamos voltar ao tempo em que o parlamentar precisava andar com o pires na mão em ministérios”, afirmou Motta, criticando práticas anteriores à institucionalização das emendas.
Ele destacou que o modelo em vigor permite que parlamentares da base e da oposição direcionem recursos diretamente para seus estados e municípios, o que fortalece a atuação local e reduz a dependência de articulações políticas com o Palácio do Planalto.
Crescimento dos repasses e exigência de transparência
Nos últimos anos, o volume das emendas cresceu significativamente. De acordo com dados da própria Câmara, cerca de R$ 149 bilhões foram destinados por meio de emendas entre 2020 e 2025 — um salto expressivo em comparação com o período de 2015 a 2019.
Embora reconheça que é necessário ampliar a transparência e a fiscalização desses recursos, Motta reafirma que isso não pode ser usado como argumento para revogar o caráter impositivo do modelo. “É legítimo que a sociedade cobre o uso correto do dinheiro público, mas isso deve ocorrer sem retrocessos institucionais”, declarou.
Reação a críticas do Judiciário e de setores do governo
A defesa das emendas parlamentares também responde a críticas recentes vindas do Supremo Tribunal Federal (STF) e de analistas que veem nas verbas um fator de desequilíbrio orçamentário. Para esses críticos, o alto volume de recursos engessaria as decisões do Executivo e dificultaria o planejamento de políticas públicas nacionais.
Hugo Motta discorda da avaliação. Segundo ele, a governabilidade não está ameaçada, e a autonomia do Congresso não pode ser confundida com sabotagem institucional. “Desde que as emendas passaram a ser obrigatórias, nenhum governo deixou de aprovar suas principais pautas por isso”, disse o deputado.
O que está em jogo
A fala de Motta reforça a posição majoritária dentro do Congresso Nacional: a de que as emendas são uma ferramenta legítima de representação e equilíbrio entre os Poderes. O debate, no entanto, continua aceso nos bastidores de Brasília, especialmente em um momento de tensão fiscal e diante da necessidade de aprovar pautas prioritárias do governo federal.
O tema também deve voltar à tona no 2º semestre legislativo, quando o Congresso discutirá a Lei Orçamentária Anual de 2026, que novamente terá peso significativo de emendas parlamentares — e com os olhos atentos da sociedade civil, do Tribunal de Contas da União e do STF.










