Espiritismo não é meu partido

Tenho parado para contemplar (às vezes com os olhos embaçados) este mundo de ocorrências e fatos, que nos ligam aos vieses de debates sobre espiritismo e espiritualidade.

Tenho silenciado. Porque internalizo com cuidado o que deseja avivar minhas raízes primárias em emoções despertas e velozes, estágio pelo qual desejo passar com calma, análise e controle das escolhas.

Hoje posso afirmar que espiritismo não é meu partido, não é minha terapia, nem meu marketing pessoal.

Escrever tendo este direcionamento temático propiciou inúmeros encontros! Também esbarrões e desencontros. No entanto, a escrita é uma oferenda que a vida me ensinou a depositar sem preços, como pedaços de olhares projetados rumo ao que se acredita.

São os olhos de leitura que promovem a escrita, mas sem sentimento seria desertificado, eco de grutas profundas feito gráfico.

Espiritismo não é meu motivo para digladiar, para buscar vencer a todo custo um embate apostando na casa da lógica. Espiritismo para este coração de militâncias livres é aurora, pôr de sol e solidões de quem sozinho discorda, mas acompanhado acorda e segue sem olhar para trás.

Não é meu partido, mas não me despolitiza nem censura as resistências.

Quando o tempo transfere silêncio não é medo. Também não será segredo, porque o exercício da liberdade não rima com pressa, pressão.

Seria bem mais fácil cantar o que parece óbvio, ser liderado, aplaudir ícones, fomentar a docilização da presença útil.

Mas a escrita sairia torta, mentirosa e ansiosa por ligeiramente agradar.

Espiritismo não pediu batismo, não repeti fórmulas, não aceitei dogmas.

Diante das dores do mundo meu olhar tem sido dolorido. Personalismo não importa, nem mesmo para mostrar tudo o que tenho lido, ouvido, aprendido. Discurso caído, quando a solidariedade pede mais sentir.

Definitivamente eu não tenho um partido, mas se quisesse ter não buscaria no espiritismo!

Silêncio outra vez. Olhar longínquo. Paz na confiança de viver a imersão no espiritismo.

Novas curvas haverão de surgir e a estrada agora não está larga. Mas é para cima que olho, enquanto sinto a angústia de aprender a desbravar este caminho sem negociar amor, aplauso ou salvação.

No início e por toda a eternidade seremos um caso de amor que envolve crenças e libertação!

Espiritismo me abre um grande labirinto e agora este lugar se chama coração!

A tudo o que não posso responder, ao que não posso dizer, ao que não explico ainda, perdão.

Eis a partitura original do crescimento real, em silêncio de invernada e olhar longo de infinito pela estrada. O que virá já está sendo amparado pelas mãos livres dos dias futuros.

Sem pressa, sem contrato, sem interferência julgadora.

Espiritismo é guia respeitoso, silencioso acolhedor de buscas.

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