Pedro Sidney Soares! Eis o grande homem da minha vida!!!! Painho, hoje é um dia de muita saudade… E deveria ser de festa também… Cadê o senhor aqui para eu te encher de beijinhos e abraços na sua comemoração de 80 anos?!
Ah, painho… É impossível mensurar o tamanho da dor por n tê-lo mais aqui comigo, pertinho, dando-me carinho, guiando-me, ajudando-me a tomar decisões, segurando a minha mão para me orientar sobre a vida…
Mas, se n estais aqui, eu te perdoo… Hoje é dia de festa no céu, compreendo… Estais comemorando seu aniversário ao lado de Papai do Céu, da vovó Rosa, do vovô Valença, né?! Eu bem que queria estar participando dessa comemoração também…
Hoje eu daria tudo para passar o dia bem agarradinha contigo…
OBRIGADA por tudo, painho! Por ter me dado a oportunidade de estudar, por ter me educado, por ter sido um grande exemplo de hombridade, honestidade e decência! Eu continuo me espelhando em ti para tentar ser uma pessoa do bem!! E me desculpe por qualquer falha durante os 22 anos em que tive a felicidade de ser sua filha… Se errei, foi na tentativa de querer acertar!!
PARABÉNS, MEU ETERNO AMOR!!!!!
A UM AUSENTE
“Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.”
(Carlos Drummond de Andrade)
