Os sentidos das festas religiosas estarão se perdendo com o tempo?
Poucos de nós lembra do santo que é hoje comemorado, talvez porque comer e beber tenha se tornado mais importante do que lembrar de São João, aquele que teve o seu nascimento comunicado através de uma fogueira acesa sobre o monte no qual morava Zacarias, seu pai.
Contudo, em muitos lugares ainda encontramos as fogueiras, falando de tradição junina, algo que o Nordeste tomou para si, agregando outros elementos, como a quadrilha, coco de rodas e demais folguedos.
Nos interiores eram comuns juras por sobre as brasas das fogueiras, coisas levadas a sério para o resto da vida, como as “comadres de fogueiras”, um pacto feito na infância. Mas os tempos de agora parecem não comportar mais esses arranjos culturais, estabelecidos entre a diversão e a religiosidade. Há um sentido de consumo em tudo o que fazemos, e parece que todos os significados estão encerrados nesta proposta.
Saudades sinto das brincadeiras e ingenuidades, simpatias amorosas e vestes matutas, feitas de chita e galão. Mas o passado se abre de vez em quando, um baú de lembranças vivas, que depois se fecha para salvar as referências de um tempo ameno, onde a chuva só falava do quanto seria bom dançar forró ao anoitecer.





