O destino das insígnias de Jair Bolsonaro (PL) está nas mãos do Superior Tribunal Militar (STM), e o julgamento promete ir muito além da recente condenação de 27 anos por tentativa de golpe de Estado.
Segundo apuração de Jussara Soares, da CNN Brasil, os bastidores da Justiça Militar indicam que o ex-presidente será julgado pelo “conjunto da obra”, resgatando uma trajetória conturbada nas Forças Armadas que remonta à década de 1980.
A avaliação entre os ministros é que o histórico de indisciplina do capitão reformado pesará contra ele no plenário. O memorial de Bolsonaro inclui a prisão de 15 dias em 1986, após criticar salários militares na revista Veja, e o polêmico plano de explodir bombas em quartéis em 1987.
Embora tenha sido absolvido pelo próprio STM em 1988 por falta de provas técnicas, o episódio marcou sua saída para a reserva e o início de sua carreira política. Agora, esse passado retorna como componente de um perfil considerado incompatível com o oficialato.
A estratégia das defesas, contudo, é oposta. Aliados e advogados pretendem usar os “bons serviços prestados” para evitar a expulsão. No caso de Bolsonaro, o trunfo é a Medalha do Pacificador com Palma, recebida em 2018 por ter salvo um soldado de afogamento em 1978.
Esse duelo de narrativas deve expor uma rachadura no STM: de um lado, ministros militares que tendem a valorizar a carreira inteira; do outro, ministros civis focados na gravidade da condenação imposta pelo STF.
O Ministério Público Militar (MPM) já formalizou a representação por “indignidade para o oficialato” não apenas contra Bolsonaro, mas também contra os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Almir Garnier.
O sorteio definiu o tenente-brigadeiro Carlos Vuyk de Aquino como relator e a ministra Verônica Sterman, indicada pelo presidente Lula em 2025, como revisora.
Apesar da resistência de parte da caserna, o sentimento predominante na Corte Militar é de que a perda da patente é praticamente certa para Bolsonaro e Braga Netto.
Já os generais Heleno, Paulo Sérgio e o almirante Garnier são vistos com maiores chances de preservar seus postos, sob o argumento de que suas trajetórias institucionais foram menos marcadas por episódios de insubordinação antes dos eventos que levaram à condenação por organização criminosa.








