Ana Luiza Marcolino conquistou vasto fã clube como musa do rádio em Alagoas, pois sua voz adocicada entrava nos lares e as portas já estavam abertas para ouvir suas narrativas, amorosidade no trabalho da comunicação, uma jornalista querida e celebrada, e, depois, mulher alagoana marcada pela tragédia, na dor cruel de ter perdido sua irmã Suzana Marcolino, e seguir lutando contra todas as mortes que o sistema lhe impôs, pois o jeito alagoano de matar torna a memória insepulta. Mas o amor torna-se luta que se torna antídoto, e a conta-gotas estas memórias conquistam respeito político e humanitário.
Mãe de vítima de violência letal alagoana, eu conheci os caminhos que Ana Luiza trilhou, porque também não desisti de amar, ainda que a injustiça todos os dias cantasse sua glória assassina. Nossas memórias são nossos amores feitos sobrevivência!
Mas são as escritas que hoje nos entrelaçam, e o mútuo respeito que construímos na história comum de alguma maneira nos irmana.
O Coletivo Mulheres que Escrevem é território de reencontro, descobertas, assunção das identidades guardadas em gavetas ontológicas, e neste lugar sagrado estas Anas se abraçam!
Iniciado em 2019, o Coletivo agregou muitos sonhos e letras, dando vozes a muitas de nós. Foi suspenso em 2020 pela pandemia, mas tivemos uma live como alimento, ainda que escasso. Tentamos resgatar em 2022, mas as enchentes que castigaram o inverno alagoano nos obrigaram a rever o evento.
Em um supetão Ana Luiza me resgatou para perto dela, ainda que geograficamente estejamos distantes, e alguma coisa movimentou o coração da gente, neste sentido explosivo de amor criativo, libertador!
O Coletivo Mulheres que Escrevem está entrando em erupção!
