Quando era adolescente visitei um amigo que trabalhava em um brechó, no bairro Jaraguá, na cidade de Maceió. O nome era chamativo, e minha tendência ao romanesco muito aflorada, por isso eu gostava daquela frase cravada em um lindo pedaço de madeira trabalhada que encontrei lá: “O que é do homem, o bicho não come”.
Não sei de quem é, mas concordo muito com ela!
Somos fazedores de histórias! Estas, viram memórias! E assim se constroem legados, criam-se pontes de vivências na honra do passado, sem pieguismos, sem melodramas, no nível exato do que a história permite.
Hoje então resgato como temática primeira deste novo projeto de escrita aqui no blog, a passagem intensa pela Academia Matrizense de Letras, AMALE.
Semear o desejo de uma academia de letras no município alagoano de pouco mais de 25.000 habitantes, cravado entre tabuleiros e canaviais, respirando as brisas da zona da mata entre os ventos do litoral norte, foi um dos capítulos mais marcantes da minha história.
Obviamente não foi escrito apenas por mim, e envolveu nas linhas modestas, mas entusiastas escritores, leitores, apreciadores da cultura letrada.
Todo começo é desafiador quanto festivo, e por certo aproveitamos cada segundo destas etapas. Primeiro reunimos gente, abrimos o coração e contagiamos uma parcela com o gosto pela cultura letrada. Mostrar que era possível construir um legado dentro das possibilidades locais foi o maior trunfo desta ação.
Na imagem escolhida, enfeitada pelas vestes em pelerines, podemos apreciar dois membros da Academia Quitundense de Letras, pertencente ao município vizinho, São Luís do Quitunde. A cor azul ajuda a distinguir os visitantes, pois o casamento da cor vinho com passamanaria dourada foi a marca da AMALE, um brinde ao momento histórico no qual floresceu!
Apesar de ser muito comum ter academias assim, esta possuiu detalhes que lhe fizeram singular. Não era feita para elitizar.
AMALE foi território de partilha, onde a população poderia saborear cafés literários, e os membros se reuniam uma vez ao mês para estudarem as obras uns dos outros, em prazeroso exercício de aperfeiçoamento da língua escrita e falada, envolvido nas sutis energias da valorização mútua, pois ninguém ficou de fora.
A grandeza destes dias embelezou a cidade. Talvez a maioria não soubesse, nem mesmo percebesse o que ocorria, mas na egrégora local uma luz brilhava forte, a luz da poesia!
Participar deste círculo de saberes e vivências específicas na seara da leitura e da escrita, foi e ainda é motivação para seguir lendo e escrevendo, sabendo que tudo aquilo que vivemos gera memórias e constrói histórias, enquanto houver respiro haverá vida para escrever.
Abrindo este projeto de crônicas, agradeço a todas as parcerias destas horas idas.
Se temos histórias, vamos seguir contando.





