O tempo cronológico por si, não amadurece a humanidade.
O que vemos nestes tempos de ódio útil e supremacias elencadas, carrega em suas bases as mesmas motivações que movimentaram as páginas sangrentas de sempre, o desejo de poder e seu leque de benefícios imediatos, seja em qual for o modelo de sociedade.
Quem criou razões para perseguir, também confiscou os bens dos perseguidos e lucrou com isso.
Quem aprisionou, humilhou e dizimou, impôs medo, e isso foi confundido com respeito, virou poder e estabilizou relações sobre acordos e servilismos.
Em todos os episódios históricos amplamente marcados por violências são contabilizadas diversas formas de contribuição da camada despossuída, ávida de participações, nem que fossem apenas discursivas, na projeção de benefícios que supostamente elevassem acima de alguém.
Se não houver um deslocamento de valor daquilo que movimenta a riqueza material e simbólica, o tempo não libertará ninguém.
Eis uma das forças discursivas dos grupos fundamentalistas e seus ufanismos de escolhidos. A sanha de ser melhor é tão mordaz quanto a ânsia de ter mais.
Sem a coragem dos que elencam a solidariedade liberta, os ávidos pelo poder seguirão incólumes na manutenção das guerras que derrubam mil à nossa direita e outros mil à esquerda, provando que a humanidade é serva de quem domina.
Quem melhora a sociedade não é aquele que tenta encontrar uma brecha na maldade para lucrar em silêncio, nem os anônimos acomodados que somente se importam em manter seus empregos, privilégios, vícios e territórios individuais limpos. O fator mudança é resultado das resistências dos que foram destruídos.
Tristes retrocessos. Mais sangue no chão, mais lágrimas salgando a história, mais erros para consertar entre traumas.
Os padrões de vitória impostos pela força bruta e beligerante amaldiçoam a história. Outras forças precisam ser erguidas acima da fumaça escura com cheiro medieval.
O tempo apenas abre outros parênteses para que a humanidade desafie o medo, a dor e a derrota, na esperança de vencer o mal que entoa cânticos de violência e naturaliza o fim daquilo que não criou: a vida.
Com inteligência e solidariedade os que caminham entre o caos empurram as transformações, e estes são as nossas boas referências, não importa qual língua falem, porque o conteúdo universal do amor pode ser entendido em qualquer tempo e hora.
Junto a eles ainda estamos na história.





