Uma sociedade atônita, buscando respostas para o que já está respondido, na tentativa de alocar argumentos 
A sequência do diálogo entre essa sociedade e Sávio Almeida, aqui transcrito como vertente da mesma simbiose, que nos alimenta entre esperanças e vícios; sabedoria e loucura, resultado de tantos medos…
Perante o Estado assassino em facetas teatrais, na personagem bem paga de cada rosto institucional inútil.
A discussão sobre a violência nos faz dançar em conjunto, porém, cada qual com ritmo próprio.
Fala o Doutor Sávio Almeida: “Quantos desviam a discussão da realidade, quando discute a violência! Pois exime o Estado.”
“Criminoso não está na grota, está no Estado!”
“É necessário fazer um revisão do poder local.”
Questões outras, também importantes, como o decantado cordão de valores tradicionais que todos apreciam, para existirem efetivamente em todas as histórias, é imprescindível a garantia dos mesmos acessos.
Construções históricas deficitárias desde seus alicerces, miraculoso seria, se oferecessem estruturas fortes e equilibradas.
O tráfico conhece o chão onde se firma e afirma sua proposta de socialização fugaz e impiedosa.
“O crack trouxe um novo tipo de traficância.”
Não bastará discutir sobre os assentos assépticos da classe média, em consonância com a riqueza dos gerentes estatais, que de toda miserabilidade tiram lucro, para entender os processos de atuação e envolvimento juvenil com a drogadição.
A raíz está fora do processo em si.
Almeida nos alerta: “Em Alagoas há uma coluna vertebral do crime. Quem mexe nela? Ninguém!”
“Quanto mais estreitamos a cadeia do crime, menos nítida ela vai ficando.”
“O ilegal, em Alagoas, é mais poderoso do que o legal!”
“A droga é apenas mais um elemento do conjunto da ilegalidade, e a seu lado concorrem todos os vícios.”
“Deixa todo mundo roubar, que eu vou atrás do crack!”
“A droga para ser destruída requer um projeto de comunidade.”
Hoje temos um alardeado projeto de gabinete, com recheio policialesco de pouco alcance na vertente do crime, pois que atua na periferia.
Uma sociedade boquiaberta diante da cascata perene de sangue. Mas as fanfarras governamentais não podem silenciar.
A folia sobre a dor é uma estratégia espúria de sobrevivência das mentalidades retrógradas advindas das herenças verde-escravidão dos canaviais alagoanos.