Até onde a ideia religiosa pode levar o ser humano ao estado de combate, promotor de Cruzadas, na defesa sempre inútil de um túmulo santificado?
A força de intempérie desse sentimento arcaico, que em tantos momentos da história justificou o uso da força para calar dissidentes e questionadores, estará hoje, em pleno século XXI no meio espírita brasileiro?
Volto a dizer: espíritas brasileiros atentais aos sinais dos tempos!
O presidente que vós ajudastes a eleger se curva ante o arcaísmo de um bispo que escreve coisas ameaçadoras sobre os kardecistas.
Se tiveres dúvida sobre o que aqui escrevo, é fácil dirimi-la, pois está escrito no livro”Orixás, caboclos e guias – deuses ou demônios” o pensamento do bispo sobre aqueles que como nós, acreditamos no que falou Allan Kardec.
Podereis encontrar na página 17:
“No Espiritismo mais sofisticado, eles se manifestam mentindo, afirmando serem espíritos de pessoas que já morreram (médicos, poetas, escritores, pintores, sábios, etc). Fazem também passar por espíritos de pessoas da própria família dos que se encontram nas reuniões, quando são invocados, para “prestar caridade” ou receber uma “doutrina”.
E continua logo abaixo:
“No Kardecismo e nas demais ramificações espíritas ou espiritualistas, os demônios se apresentam como espíritos evoluídos ou ainda em evolução, que precisam de doutrina.”
Na página 32, elabora um tratado sobre as irmãs Fox, que deve ser lido com atenção:
” O Espiritismo chamado “científico” teve início em 1848. Em 1847, a família Fox tomou posse, como inquilina, de uma casa Hydesville, estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos. A casa era muito pobre, construída principalmente de madeira. Quando tudo parecia tranquilo, em meados de março, duas entre as seis filhas do casal, Margareth (Maggie) e Kate, com 14 e 11 anos respectivamente, começaram a ouvir ruídos de pancadas e de móveis sendo arrastado.
Na noite de 31 de março de a948, Kate provocou o tal espírito com o estalido dos dedos. A provocação foi aceita e cada estalo era completado no mesmo instante por uma pancada. Assim, os espíritos ganharam a confiança da família e a notícia se espalhou rapidamente.
Muitos acreditaram que eram espíritos de pessoas que haviam falecido, quando na realidade, eram os anjos decaídos, mensageiros de satanás, demônios, estabelecendo contato com o mundo físico.”
Na página 33, a seguinte pérola:
“Essas irmãs passaram a ser habitação daqueles espíritos, que se utilizaram dos seus corpos para espargir a mais sórdida e destrutiva doutrina que o mundo já conheceu. Não é de admirar que as meninas, vasos para esses demônios, tenham morrido embriagadas, numa vida miserável.”
A obra citada tem outras abordagens, e quem tiver interesse em conhecer o bispo Edir Macedo sempre agradece a quem compra seus livros, no meu caso, foi um presente de parentes que desejam me salvar do Espiritismo.
A demonstração acima serve para ratificar nossas reflexões sobre a ameaça de liberdade religiosa que paira sobre o Brasil bolsonarista, orientado em bases de fé por Edir Macedo.
Não usem a Constituição como protetora legal, pois desde o golpe de 2016 que ela se tornou inútil.
Aos espíritas que transformaram o Espiritismo em uma religião distanciada da ciência e da filosofia, nosso lamento pela escolha que ao invés de instruir e emancipar, confunde e emaranha o ser em convicções assentadas sobre sistemas de crenças contaminados pelo mando de uns e o servilismo de outros.
Herculano Pires advertiu, na obra “Agonia das Religiões”, que “o ponto crucial do problema religioso chama-se hipocrisia”. Mas quando esta se torna indicativo de uma cultura, precisa ser desmascarada, pois os conceitos hipócritas serviram para justificar a cruz e o assassinato de Jesus.
E também nos disse que “os processos sócio-culturais de cada civilização têm a sua fonte no homem, pois a sociedade se apresenta objetivamente como um conglomerado humano.”
Por estas razões, as soluções não virão dos espíritos desencarnados, mas da nossa capacidade de discernir, enquanto houver tempo para anunciar a boa nova da libertação, pela emancipação da razão em cada espírito de boa vontade.
