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Greve unificada da educação federal mostra força

A greve da educação nas esferas federais, segue movimentando o país, apesar das tentativas de invisibilização do movimento por parte do governo.

Considerada pelos bolsonaristas como um indicativo de que o governo anterior foi bom, pelo fato de não ter enfrentado greve desta categoria, embora tenha sido o último presidente um exímio inimigo da educação superior pública, com cortes orçamentários e ataques constantes à sociedade do conhecimento, também ocorreu  em um trágico momento histórico marcado pela pandemia de COVID-19, pela qual Bolsonaro é responsabilizado pelo alto índice de letalidade, justamente por negar recursos e investimentos na ciência em tempo hábil. A greve divide opiniões nas alas progressistas e esquerdistas.

Setores simpáticos ao presidente Lula chegam a afinar discurso com os bolsonaristas, dizendo que com Bolsonaro pegaram leve e com Lula os técnicos e docentes dos institutos e universidades federais estão sendo rigorosos demais na manutenção da greve.

Osvaldo Maciel, do Comando de Greve da Universidade Federal de Alagoas, brincou dizendo que tem “gente que é mais lulista do que Lula”, se referindo aos indivíduos da esquerda que se manifestam contrários à greve, que, segundo ele, não é dificultada pelo fato de Luís Inácio ser Presidente da República, mas, pelo contrário, todos se sentem muito à vontade para lutar na causa porque o próprio Lula construiu essa trajetória, embora reconheça que hoje se torna “um símbolo cada vez mais distante do que já foi”.

O movimento unificado de greve pretende fazer com que o governo federal “cumpra o programa pelo qual foi eleito”. Também acredita que o governo deve disputar o fundo público para investir na educação, para que enfim, “seja aquilo que se projeta nele”.

A professora da Universidade Federal de Alagoas, Valéria Correia, que é ex-reitora e atua em diversas frentes de luta societária no estado, admite que o fato de Lula estar no governo dificulta o entendimento sobre a greve para alguns, mas não para os que estão envolvidos nessa luta.

Compreende inclusive que o movimento unificado pela educação federal no Brasil arregimenta correlação de forças para que Lula possa cumprir seus compromissos de campanha, entre os quais destacou a defesa da educação pública superior e dos servidores federais deste campo de atuação.

No paralelo, fez comparativo com os servidores da Polícia Rodoviária Federal, para os quais o atual governo teria concedido aumento salarial, enquanto frisou a atuação de boicote destes para com o próprio Lula, infringindo leis para apoiar Bolsonaro.

Com a proposta de “tirar a granada (colocada pelo ex-ministro Paulo Guedes)do bolso do servidor”,  o atual governo teria se comprometido em fortalecer a educação superior que declina desde o golpe de 2016, chegando ao ponto de ter prédios federais com o teto caindo, como exemplos, um dos prédios na própria UFAL e outro em Salvador.

Finaliza asseverando que o movimento grevista se manifesta por “reposição salarial” e condições dignas de trabalho.

Estudantes dos diversos campi do estado de Alagoas participaram, em apoio ao movimento. Desde aqueles da universidade quanto dos institutos tecnológicos.

Alguns serviços comunitários foram oferecidos no centro de Maceió, beneficiando transeuntes que paravam para apoiar as atividades de greve.

A Escola de Enfermagem da Ufal (EENF) verificou pressão arterial, glicose, e dispôs orientações sobre cuidados básicos com a saúde. Enquanto o Núcleo de Saúde Pública (NUSP) aplicou massoterapia e outra técnicas integrativas gratuitamente.

A deputada estadual, médica, docente e representante do curso de medicina da UFAL, Fátima Canuto, questionou a entrega do orçamento público brasileiro aos parlamentares (em forma de emendas parlamentares), afirmando que este momento histórico de luta não começou agora, assim como o desmonte da educação pública.

A representatividade no movimento de greve aponta para o fortalecimento das reivindicações, que são legítimas. Uma sociedade apática não terá conquistas em nenhum campo político, não importa de qual espectro sejam os governantes.

 

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