A greve dos trabalhadores da educação estadual em Alagoas completa um mês nesta quarta-feira (30), sem qualquer sinal de resolução. Iniciada em 1º de julho, a paralisação é liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal) e reivindica reajuste salarial de 10%, além de mais de 20 pontos relacionados à valorização profissional e melhorias nas condições de trabalho.
Apesar da mobilização, o governo estadual, comandado por Paulo Dantas, mantém a proposta de reajuste de 4,86%, já aprovada pela Assembleia Legislativa. O sindicato, por sua vez, exige o cumprimento integral do índice de 6,3% previsto no Piso Nacional do Magistério, além de um acréscimo de 1,44% referente a perdas acumuladas.
Ilegal
No dia 14 de julho, a juíza Adriana Carla Feitosa Martins, da 28ª Vara Cível da Capital, declarou a greve ilegal. A decisão determina a suspensão imediata do movimento, sob pena de multa diária de R$ 5 mil ao sindicato. A magistrada argumenta que a paralisação compromete o direito à educação, considerado serviço essencial, e pode causar prejuízos irreversíveis aos estudantes da rede pública.
Mesmo diante da decisão judicial, o Sinteal decidiu manter a greve, alegando que a proposta do governo não atende às demandas da categoria e que a mobilização é legítima diante da falta de diálogo efetivo.
Impacto
O governo estadual tem adotado estratégias para minimizar os efeitos da paralisação. Escolas seguem abertas com o apoio de monitores e servidores administrativos, e a gestão afirma que a adesão ao movimento é baixa. A Secretaria de Estado da Educação sustenta que a continuidade das aulas está sendo garantida, embora reconheça que há prejuízos em algumas unidades com maior adesão à greve.
Tentativas de Conciliação
Uma audiência de conciliação foi realizada no dia 25 de julho, mediada pelo desembargador Tutmés Airan. O encontro buscou aproximar as partes, mas terminou sem acordo. O governo apresentou um projeto de reestruturação do Plano de Cargos e Carreira dos professores, prometendo valorização por mérito e ascensão funcional mais ágil. O sindicato, no entanto, considera a proposta insuficiente e cobra avanços concretos.
Impasse
Com a greve completando um mês, milhares de estudantes da rede estadual enfrentam incertezas quanto à continuidade do ano letivo. A paralisação afeta principalmente escolas do interior, onde a adesão ao movimento é mais expressiva. Pais e responsáveis demonstram preocupação com o calendário escolar e a qualidade do ensino.
Enquanto o impasse persiste, a categoria promete manter a mobilização e intensificar os atos públicos. O Sinteal afirma que só encerrará a greve diante de uma proposta que contemple as reivindicações da base.







