A maior e mais problemática de Alagoas- o Canal do Sertão- ganhou, nesta 
As obras da primeira etapa do trecho, até km 77,8, foram viabilizadas com recursos federais, garantidos pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) junto ao Ministério da Integração, em dezembro de 2011.
Os trabalhos estão em fase de terraplenagem, com trechos em escavação e outros em aterro, além da construção dos canteiros de obras para adaptação e melhor desempenho dos trabalhos, com oficinas, armazenamento de materiais, central de concreto, administração, auditório, refeitório e ambulatório.
O Canal do Sertão – teve a sua construção liberada, depois de muita negociação, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em julho do ano passado.
Mas as condições do acordo são inusitadas: o TCU quer que o governo do Estado faça uma poupança com um seguro de R$ 66,1 milhões (exatos R$ 66.109.998,86), depositados nas contas da União. O montante serviria como uma espécie de seguro anticorrupção para cobrir gastos em eventuais irregularidades.
O projeto do Canal do Sertão completou 18 anos em 2011, sem festa nem citações do governo. A obra prevê a construção de um dique de 250 km de extensão entre as cidades de Delmiro Gouveia e Arapiraca, levando água do rio São Francisco para 42 municípios ou mais de 900 mil pessoas.
A desconfiança do TCU existe por causa do histórico da obra. São três grandes contratos investigados pelo tribunal: o 03/92, com indícios de superfaturamento e valores ainda não apurados; o 01/93, com superfaturamento de exatos R$ 66.109.998,86; e o 10/2007, com indícios de sobrepreço, com valores ainda não apurados. Este último contrato, chamado pelos técnicos de “contrato dez”, abrange os km 45 a 67,5 e custa R$ 147.993.151.
Desde a assinatura da ordem de serviço do canal, em 23 de julho de 1993, até hoje passaram pelo projeto seis governadores. Naquela época, a obra custava “quatrilhões” de cruzeiros ou uma cifra de 15 números: Cr$ 1.058.325.110.753,20. Hoje, a estimativa é de R$ 2 bilhões. A moeda mudou, os governadores e os presidentes passaram, mas o fim do projeto é um mistério sem solução.
Há quatro anos, o Canal do Sertão foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Os problemas com o Canal do Sertão, segundo o TCU, foram causados por causa da conversão de moeda, na implantação do plano Real. Os preços foram convertidos para mais, gerando indícios de sobrepreço. Ainda não se pode dizer que alguém embolsou dinheiro com a obra.
Um destes indícios de superfaturamento se refere à escavação para a construção do canal. Valores não foram revelados. Uma análise minuciosa dos técnicos descobriu que até o preço da brita ficou maior na conversão para o Real.
O comparativo do preço da escavação é feito com o Sistema de Custos Rodovários (Sicro). É uma espécie de modelo: o Sicro é usado na construção de estradas. Na lista dos custos do canal, há detalhes ainda como dinamites, jazidas tanto para despejo da terra como para captação de barro. O tamanho das irregularidades da obra, no TCU, pode ser visto no processo: são 56 volumes, mais de 10 mil páginas.