O Governo do Estado de São Paulo iniciou um processo de desmonte da ala da Penitenciária II de Tremembé que, ao longo de décadas, ficou nacionalmente conhecida como o “Presídio dos Famosos”.
Segundo apuração da CNN Brasil, condenados por crimes de grande repercussão estão sendo transferidos para outras unidades do sistema prisional, como Potim e Guarulhos II.
A movimentação, iniciada em dezembro do ano passado, já retirou de Tremembé nomes como o ex-jogador Robinho, condenado por estupro na Itália; o empresário Thiago Brennand, preso por violência doméstica; e o influenciador Buzeira, detido em operação da Polícia Federal. Também foi transferido Walter Delgatti, o “Hacker de Araraquara”, figura central no episódio da Vaza Jato.
A decisão da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) tem como objetivo principal “pulverizar” esses detentos em diferentes unidades, eliminando a concentração de perfis mediáticos em um único local. A medida busca evitar que o presídio continue sendo visto como um espaço de tratamento diferenciado ou isolado das tensões do sistema comum.
O advogado criminalista Bruno Ferullo explicou que o perfil da P2 de Tremembé será alterado, possivelmente passando a abrigar detentos do regime semiaberto. “Essas transferências não dependem de autorização judicial. No sistema de São Paulo, a SAP tem discricionariedade para remanejar presos entre unidades. O Tribunal de Justiça foi apenas cientificado”, detalha o especialista.
Os Motivos por Trás da Mudança
Embora não exista uma justificativa oficial detalhada, especialistas e fontes do sistema prisional apontam três pilares para a decisão:
Reorganização Logística: Melhor gestão de perfis e superlotação em outras unidades.
Segurança Institucional: Proteção da integridade dos internos e redução da pressão sobre a administração da unidade.
Impacto Mediático: O lançamento da série “Tremembé” (Globoplay), que ilustra supostas regalias e o cotidiano diferenciado dos presos notórios, teria sido um gatilho para que o governo agisse para mudar a imagem da instituição.
Historicamente, Tremembé abrigou nomes como Suzane von Richthofen, Alexandre Nardoni e Elize Matsunaga. A unidade era preferida pela gestão por não possuir a presença ostensiva de facções criminosas, o que garantia a sobrevivência de presos que, no sistema comum, correriam risco de vida devido à natureza de seus crimes.
Procurada, a Secretaria da Administração Penitenciária informou que a unidade opera dentro dos padrões de segurança e disciplina. A pasta confirmou que as movimentações seguem protocolos internos e planejamento estratégico, mas ressaltou que, por questões de segurança, os detalhes dos destinos de cada custodiado não são divulgados.
