O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro liderou o ranking de gestões que mais gastaram com viagens de servidores sob sigilo, segundo um levantamento baseado em dados do Portal da Transparência. De acordo com a análise, 16% das viagens oficiais realizadas durante o mandato de Bolsonaro tiveram informações ocultadas, incluindo nomes, cargos e destinos dos servidores envolvidos.
Gastos e Sigilo
Desde 2014, o governo federal desembolsou aproximadamente R$ 3,5 bilhões em viagens de servidores cujos dados foram mantidos em sigilo. Esse montante inclui despesas com passagens aéreas e diárias, cobrindo hospedagem, alimentação e deslocamento. O levantamento aponta que uma em cada oito viagens realizadas nos últimos dez anos teve informações ocultadas.
O sigilo aplicado às viagens oficiais tem justificativas legais, sendo utilizado para proteger informações sensíveis relacionadas à segurança institucional e operações estratégicas do governo. No entanto, a prática tem sido alvo de críticas por parte de especialistas e entidades que defendem maior transparência na administração pública.
Comparação Entre Governos
O levantamento também comparou os percentuais de viagens sigilosas em diferentes gestões:
– Jair Bolsonaro (2019-2022): 16% das viagens tiveram dados ocultados.
– Luiz Inácio Lula da Silva (2023-2025): 15% das viagens mantiveram sigilo até abril de 2025.
– Dilma Rousseff (2011-2016): 12% das viagens foram classificadas como sigilosas.
– Michel Temer (2016-2018): 11% das viagens tiveram informações ocultadas.
Órgãos com Maior Número de Viagens Sigilosas
Entre os órgãos que mais registraram viagens com dados ocultos, destacam-se:
– Polícia Federal (PF): 620 mil viagens sob sigilo.
– Polícia Rodoviária Federal (PRF):400 mil viagens com informações reservadas.
– Presidência da República: Mais de 2.000 viagens sigilosas solicitadas na gestão Lula, representando 66% do total de deslocamentos ocultados pelo órgão.
Reações e Transparência
A Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério da Gestão e Inovação (MGI) afirmaram que os órgãos responsáveis pela emissão das passagens classificam as viagens como sigilosas e determinam o período de ocultação das informações. A Presidência da República justificou que o sigilo é aplicado para proteger a segurança do presidente e de sua comitiva, seguindo normas do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
O debate sobre a transparência nos gastos públicos continua sendo um tema relevante, especialmente diante da crescente demanda por maior acesso às informações governamentais. Especialistas defendem que a aplicação do sigilo deve ser criteriosa e justificada, evitando o uso excessivo da medida para ocultar dados que deveriam ser públicos.
