Governador do Pará sugere que Trump “aponte caminhos” contra crise climática

Brasília (DF), 28/05/2025 - Governadores do Pará, Helder Barbalho, e de Goiás, Ronaldo Caiado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara para debater a PEC da segurança pública. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), reagiu na noite deste domingo (9) à crítica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ironizou a construção de uma rodovia na Amazônia, sugerindo que ela teria sido aberta apenas para facilitar o acesso de ambientalistas à COP30 em Belém.

Em uma resposta direta e incisiva, Barbalho desafiou Trump a focar nos temas centrais da conferência: “Em vez de falar de estradas, o presidente norte-americano deveria apontar caminhos contra as mudanças climáticas.”

O governador paraense sugeriu que Trump poderia reconhecer os esforços locais.

“Poderia celebrar a redução histórica no desmatamento da Amazônia – com destaque para o estado do Pará, que obteve o seu melhor resultado. Ou, no mínimo, seguir o exemplo do Governo do Brasil e investir mais de US$ 1 bilhão para salvar florestas no mundo.”

Barbalho concluiu com um convite irônico: “Ainda dá tempo de passar na COP30, presidente Trump. Esperamos você com um tacacá. É melhor agir do que postar”.

Obras em Belém e a Defesa da “Rodovia Verde”

Autoridades brasileiras e paraenses se mobilizaram para esclarecer a natureza da obra. A Secretaria Extraordinária para a COP30 (Casa Civil da Presidência) informou em nota que a construção da rodovia Avenida Liberdade não é de responsabilidade do governo federal e não está no escopo das obras de infraestrutura para a conferência.

Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra) defendeu o projeto. O órgão destacou que a rodovia, de cerca de 14 km, que ligará Belém a cinco municípios metropolitanos, segue o trajeto de um linhão de energia, onde a vegetação já havia sido suprimida, “reduzindo o tempo de deslocamento e evitando a emissão de 17,7 mil toneladas de CO₂ por ano”.

A Seinfra reforçou que a intervenção possui licença ambiental e cumpre 57 condicionantes socioambientais, incluindo a instalação de 37 passagens de fauna e o uso de sistema de iluminação com energia solar.

Extraoficialmente, fontes do governo do Pará indicam que o projeto da rodovia é de 2020, anterior à escolha de Belém como sede da COP, e seu objetivo é desafogar o trânsito na BR-316. Foi relatado que cerca de 20% do percurso foi desmatado, mas tratava-se de vegetação secundária e antropizada (previamente alterada), garantindo que não houve desmatamento de área nativa para a construção.

*Com informações da CNN Brasil

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