Gleisi Hoffmann manifesta preocupação com América Latina

Brasília (DF), 05/06/2025 - Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, durante Celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente no Palácio do Planalto. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, subiu o tom nesta quinta-feira (15) ao comentar a operação militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela sob ordens do presidente Donald Trump.

Em entrevista ao programa Bastidores, da CNN Brasil, a ministra classificou a incursão norte-americana como uma intervenção direta “muito grave” e demonstrou preocupação com a postura do governo Trump em relação aos países da América Latina.

Durante a entrevista, Gleisi enfatizou que a entrada de forças estrangeiras em território soberano para a destituição de um líder fere princípios fundamentais das relações internacionais.

“O que nós vimos na Venezuela foi uma intervenção. Entrar em território nacional, tirar um presidente e intervir no processo é algo muito grave”, declarou a ministra.

Ela reforçou que o Brasil mantém a tradição diplomática de defesa da autodeterminação dos povos, defendendo que cada país deve conduzir seu próprio destino sem interferências externas.

A preocupação do governo brasileiro reside, especialmente, na proximidade geográfica do conflito e no risco de uma escalada de violência na região.

“Tudo o que nós não queremos para o nosso continente são guerras e conflitos”, pontuou Gleisi, destacando que a ação rompeu um histórico de relativa estabilidade democrática na região, apesar de ameaças anteriores.

A ofensiva militar dos Estados Unidos, que ocorreu no início deste mês, resultou em bombardeios em solo venezuelano e na captura do presidente Nicolás Maduro.

A ação já havia provocado uma reação enérgica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, logo após o ataque, repudiou a conduta da Casa Branca. Na ocasião, Lula afirmou que o país norte-americano cometeu uma “afronta gravíssima” e que os bombardeios ultrapassaram uma “linha inaceitável”.

O posicionamento de Gleisi Hoffmann reafirma o isolamento diplomático das ações de Trump na região perante o governo brasileiro, que agora monitora de perto os desdobramentos políticos e militares na fronteira norte do país após a captura de Maduro.

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