O prefeito Rui Palmeira (PSDB) vai às ruas para inspecionar obras, assinar ordens de serviço, procurar motivação política em meio ao ajuste fiscal federal que impõe- quase obrigatoriamente- a pauta da crise na gestão pública.
Mas, no conjunto da obra- os três anos de sua administração- o prefeito ainda produz a sua própria crise- incluindo a pesada promessa de fazer funcionar a saúde na capital.
Verdade: quase semanalmente tem inaugurado um posto de saúde. Nesta segunda-feira (22) no Diário Oficial do Município fez baixar portaria implantando o ponto eletrônico na Secretaria de Saúde- medida que se espalha aos postos e atinge principalmente funcionários nos postos.
Mas, é verdade também que o PAM Salgadinho é o retrato da saúde pública e não apenas do Sistema Único de Saúde. Alas inteiras fechadas e parte da estrutura desabando não é só uma questão do Palácio do Planalto. Nem apenas um problema dos funcionários.
Também nesta segunda-feira (22), Rui autorizou a Prefeitura a tomar R$ 250 milhões em empréstimos a bancos. Assina mais uma promessa quando tiver este dinheiro: a revitalização urbana em bairros da capital e a modernização tributária. Ou seja: para a máquina arrecadar mais.
O ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) tomou emprestados quase R$ 2 bilhões com a promessa- também- de melhorar a sua gestão. Seu aliado e sucessor, Renan Filho (PMDB), tem nas mãos um desconforto administrativo.
Rui Palmeira vai repetir o exemplo do chefe do tucanato em Alagoas? A conferir.
Que a crise sirva para mostrar o funcionamento mínimo dos serviços públicos. Afinal, por mais desestimulante seja o cenário, o prefeito não sente o ajuste fiscal tão diretamente como o cidadão mais comum- quase refém da autofagia federal. Algo entre o perverso e o cruel.





