Por Silvio Rodrigo
Construídos pouco antes das eleições e em tempo recorde, as novas escolas municipais de educação infantil, os Gigantinhos, já foram uma das grandes peças publicitárias da Prefeitura de Maceió. No entanto, a rapidez da construção e o imenso marketing político em cima dos novos prédios escondem aspectos estruturais que têm transformado a vida de funcionários, professores e gestores nos últimos meses.
De acordo com uma denúncia feita ao Repórter Nordeste, a Creche Gigantinhos do bairro Santos Dumont, parte alta de Maceió, vem apresentando rachaduras e problemas estruturais que preocupam pais e funcionários.
“Os problemas na energia acontecem desde terça-feira da semana passada. Houve um curto circuito no poste e a caixa que liga a energia pegou fogo. A energia de lá caiu, as aulas foram canceladas e ficou sem energia a semana toda, ontem [segunda-feira, 18/11] retomaram as aulas e adivinha? Já no início do expediente, às 8h da manhã, faltou energia de novo e os funcionários ficaram o dia inteiro tendo que cumprir horário sob o calor excessivo, com as crianças super agitadas, chorando muito e sofrendo com o calor que estava insuportável”, disse a fonte.
Segundo a fonte há um problema estrutural da rede elétrica da creche, mas como não houve uma solução definitiva, foi feita uma “gambiarra” para que as aulas continuem. No entanto, o “arrumadinho” não funcionou.
“O que eu soube foi que era para ter sido feito outra instalação de energia lá, por que a que tinha lá não estava suportando a capacidade da energia de consumo para toda a creche e isso levaria mais tempo para ser resolvido. Decidiram, então, para não suspenderem as aulas, fazer uma gambiarra e assim conseguirem abrir ontem, mas acabou que não suportou a sobrecarga e faltou de novo”, relatou.
Os problemas não estão apenas na energia mas se estendem para a parte hidráulica do prédio, que afeta a higiene do local. A falta de água tem atrapalhado os serviços da creche, que mantém as atividades apesar dos problemas estruturais. De acordo com a fonte, alguns funcionários tiveram que criar o hábito de trazerem água de casa para o trabalho, isto para não utilizar a água do prédio, que, segundo a fonte, chegou a causar um surto de diarréia entre os trabalhadores. O aparelho que deveria filtrar as impurezas da água está densamente sujo deixando a água de aparência amarelada, com ferrugem e lodo.
“Não tem água potável, a água que tinha lá era da torneira “filtrada” mas com qualidade duvidosa, por que deu crises de diarréia em todos e dentro dos filtros estava podre, amarelo, enferrujado, com lodo. Então todos levam suas águas de casa. E as crianças tomam água de lá mesmo. E nos encanamentos sempre falta água, tem água até às 9h, depois falta. Passa um tempo sem e depois volta. Às vezes ficam o resto do dia sem água. Os banheiros ficam podres com fezes e urina pois não tem água para os sanitários. Fica oscilando muito a falta de água e tem dias que passam a tarde inteira sem. Em um galpão super calorento, que não é forrado, é na brasilit, que esquenta muito. Parece uma panela de pressão.”, explicou.
Para aliviar o calor, os funcionários deixam as portas e janelas abertas “para circular o ar”. Quando questionada, a fonte diz que a gestão afirma que estão fazendo o máximo para resolver a situação. Ao mesmo tempo dizem que se os funcionários forem embora, terão o salário descontado.
“Queria que o JHC fizesse uma visitinha lá por esses dias, para ele ficar horrorizado de ver toda a situação. Por que estão lascando com nossa saúde e das crianças. Está insustentável e querem esconder a situação”, concluiu.
Entramos em contato com Instituto de Gestão Educacional e Valorização do Ensino (IGEVE), que coordena o funcionamento da creche, em busca de um posicionamento.
Através de sua assessoria, a instituição nos enviou uma nota em que reconheceu que houve uma ocorrência na energia elétrica na semana passada, mas que trabalha para reaver a energia, aumentando a capacidade de fornecimento junto à Equatorial.
Sobre as questões hidráulicas no prédio, o IGEVE informou que a falta de energia afetou o fornecimento de água, mas negou que haja comprometimento da água disponível no prédio, indicando que a Creche está com o Certificado de Limpeza e Desinfecção da Caixa D’Água em dia.
Confira a nota na íntegra:
O Instituto de Gestão Educacional e Valorização (Igeve) informa que a Equatorial está trabalhando para aumentar a capacidade de fornecimento de energia elétrica do Gigantinhos Santos Dumont, localizado na parte alta de Maceió.
A distribuidora de energia elétrica foi acionada na semana passada, em decorrência de um incidente no medidor de energia.
Desde então, o Igeve abriu protocolo solicitando a ligação de subestação para atender o imóvel, garantindo o melhor funcionamento para alunos, familiares e funcionários.
Os problemas elétricos afetaram provisoriamente o fornecimento de água no local, mas a situação já foi normalizada. O prédio onde funciona o Gigantinhos do Santos Dumont está com o Certificado de Limpeza e Desinfecção de Caixa D’Água em dia.








