O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Partido dos Trabalhadores (PT), prepara uma reformulação no gabinete digital da Presidência com o objetivo de ampliar sua presença e influência nas redes sociais. A estratégia inclui a contratação de especialistas, reorganização interna da equipe e articulação com influenciadores aliados para impulsionar as pautas do governo.
A decisão vem após uma avaliação interna que identificou baixo alcance digital das ações do governo e dificuldade em comunicar suas principais medidas a parte significativa da população — especialmente em ambientes digitais dominados pela oposição.
Nova fase da Secom com foco em redes
A mudança ocorre em meio à reestruturação da Secretaria de Comunicação Social (Secom), que passou a ser comandada por Sidônio Palmeira, marqueteiro da campanha de Lula em 2022. Ele substitui Paulo Pimenta, que assumiu o recém-criado Ministério da Reconstrução do Rio Grande do Sul.
Com a nova liderança, a Secom deve priorizar o fortalecimento da comunicação em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. A ideia é modernizar a linguagem, diversificar os formatos e aumentar o engajamento com públicos que não consomem mídia tradicional.
Diagnóstico: população desconhece medidas do governo
A reformulação do gabinete digital se apoia em dados preocupantes para o Planalto. Segundo levantamento do instituto Quaest, mais da metade da população brasileira desconhecia a proposta de elevar a faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil, uma das promessas de campanha de Lula. A análise do governo é que os algoritmos das redes sociais têm restringido o alcance das mensagens institucionais, especialmente em públicos fora da bolha progressista.
Diante disso, o governo reconhece a necessidade de um novo modelo de atuação, mais dinâmico e competitivo no ambiente digital.
Comunicação digital como prioridade
Embora ainda não se fale oficialmente em aumento de orçamento, fontes próximas à Secom indicam que parte dos recursos da publicidade institucional — estimados em cerca de R$ 280 milhões em 2024 — pode ser redirecionada para impulsionar campanhas digitais e investir em inovação comunicacional.
O movimento representa uma inflexão em relação ao modelo adotado nos governos Dilma Rousseff, quando a comunicação se concentrava em mídias tradicionais. Ao mesmo tempo, é uma tentativa de responder à hegemonia digital da extrema-direita, consolidada no governo Jair Bolsonaro, com uso intensivo de redes sociais, WhatsApp e linguagem emocional.
O que está em jogo
O reforço do gabinete digital mostra que o PT está ciente de que as batalhas políticas do presente e do futuro acontecem também (e sobretudo) nas redes sociais. O objetivo é disputar narrativa, furar a bolha e recuperar terreno em uma arena dominada por adversários há quase uma década.
A expectativa no Planalto é que as mudanças comecem a surtir efeito nos próximos meses, com melhorias nos índices de aprovação, maior engajamento digital e crescimento da base de apoio virtual do governo.








