Gabinete digital: Governo quer ampliar presença nas redes sociais

Brasília (DF), 01/07/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do lançamento do Plano Safra 2025/26, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Partido dos Trabalhadores (PT), prepara uma reformulação no gabinete digital da Presidência com o objetivo de ampliar sua presença e influência nas redes sociais. A estratégia inclui a contratação de especialistas, reorganização interna da equipe e articulação com influenciadores aliados para impulsionar as pautas do governo.

A decisão vem após uma avaliação interna que identificou baixo alcance digital das ações do governo e dificuldade em comunicar suas principais medidas a parte significativa da população — especialmente em ambientes digitais dominados pela oposição.

Nova fase da Secom com foco em redes

A mudança ocorre em meio à reestruturação da Secretaria de Comunicação Social (Secom), que passou a ser comandada por Sidônio Palmeira, marqueteiro da campanha de Lula em 2022. Ele substitui Paulo Pimenta, que assumiu o recém-criado Ministério da Reconstrução do Rio Grande do Sul.

Com a nova liderança, a Secom deve priorizar o fortalecimento da comunicação em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. A ideia é modernizar a linguagem, diversificar os formatos e aumentar o engajamento com públicos que não consomem mídia tradicional.

Diagnóstico: população desconhece medidas do governo

A reformulação do gabinete digital se apoia em dados preocupantes para o Planalto. Segundo levantamento do instituto Quaest, mais da metade da população brasileira desconhecia a proposta de elevar a faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil, uma das promessas de campanha de Lula. A análise do governo é que os algoritmos das redes sociais têm restringido o alcance das mensagens institucionais, especialmente em públicos fora da bolha progressista.

Diante disso, o governo reconhece a necessidade de um novo modelo de atuação, mais dinâmico e competitivo no ambiente digital.

Comunicação digital como prioridade

Embora ainda não se fale oficialmente em aumento de orçamento, fontes próximas à Secom indicam que parte dos recursos da publicidade institucional — estimados em cerca de R$ 280 milhões em 2024 — pode ser redirecionada para impulsionar campanhas digitais e investir em inovação comunicacional.

O movimento representa uma inflexão em relação ao modelo adotado nos governos Dilma Rousseff, quando a comunicação se concentrava em mídias tradicionais. Ao mesmo tempo, é uma tentativa de responder à hegemonia digital da extrema-direita, consolidada no governo Jair Bolsonaro, com uso intensivo de redes sociais, WhatsApp e linguagem emocional.

O que está em jogo

O reforço do gabinete digital mostra que o PT está ciente de que as batalhas políticas do presente e do futuro acontecem também (e sobretudo) nas redes sociais. O objetivo é disputar narrativa, furar a bolha e recuperar terreno em uma arena dominada por adversários há quase uma década.

A expectativa no Planalto é que as mudanças comecem a surtir efeito nos próximos meses, com melhorias nos índices de aprovação, maior engajamento digital e crescimento da base de apoio virtual do governo.

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