Com informações da Veja
A batalha entre a Rede Globo e a TV Gazeta de Alagoas, controlada pela família do ex-presidente Fernando Collor de Mello, é mais do que uma simples disputa contratual — é um embate que mistura política, justiça, reputação e sobrevivência empresarial.
A TV Gazeta, em recuperação judicial desde 2019, afirma que a parceria com a Globo é vital para sua existência. A emissora alagoana estima que perder o vínculo pode gerar demissões em massa, com impacto de até R$ 40 milhões em rescisões trabalhistas. Além disso, há compromissos de R$ 27 milhões com credores até 2033 e R$ 77 milhões em débitos previdenciários e parcelamentos com a Fazenda Nacional.
A Globo, por sua vez, sustenta que manter o contrato com uma empresa ligada a um condenado por corrupção — Collor foi sentenciado a 8 anos e 10 meses de prisão pelo STF — representa um risco à sua imagem institucional. A emissora carioca também contesta os números apresentados pela Gazeta, alegando que os investimentos reais foram modestos frente ao faturamento da afiliada, que ultrapassou R$ 44 milhões entre agosto de 2022 e julho de 2023.
A disputa ganhou novo fôlego com a decisão do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do STJ, que autorizou a Globo a discutir o rompimento do contrato. A emissora já havia comunicado à Gazeta, com antecedência, que não pretendia renovar o vínculo, originalmente previsto para terminar em dezembro de 2023.
A Globo já firmou contrato com o Grupo Asa Branca, dono da TV Asa Branca, para assumir a retransmissão em Alagoas. A transição, no entanto, depende do desfecho judicial. A TV Gazeta, por sua vez, tenta manter a afiliação até 2030, com apoio do Ministério Público Federal, que argumenta que o rompimento pode gerar desemprego e instabilidade econômica.
A crise se agravou com a prisão de Collor em abril de 2025. A emissora alagoana também foi acusada de desviar R$ 6 milhões para gastos pessoais de Collor, sem autorização judicial.








