Fotógrafo da ditadura diz ter sido usado por regime para mentiras

Ele foi o responsável pela imagem montada de Vlado e Manoel Fiel Filho, mortos na prisão, mas cuja versão oficial aponta suicídio

reporternordeste.com.br/Com Folha de São Paulo

Fotógrafo da Polícia Civil de São Paulo, Silvaldo Leung Vieira, recrutado pelo Departamento de Ordem Social e Política, foi o responsável por uma das imagens-símbolo da Ditadura Militar brasileira: a imagem do jornalista Vladimir Herzog, morto em uma cela do DOI-Codi, em São Paulo, no ano de 1975.

A versão plantada pela ditadura: Vlado, como era chamado, havia se matado na prisão. Mas, familiares dizem que ele foi torturado. O jornalista era diretor da TV Cultura e acusado de integrar do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Ele se apresentou espontaneamente no DOI-Codi- de onde saiu morto.

“Ainda carrego um triste sentimento de ter sido usado para montar essas mentiras”, afirmou Silvado à Folha de São Paulo, por telefone, de Los Angeles.

Ele também fotografou o corpo do alagoano de Quebrangulo, Manoel Fiel Filho, operário também morto pelo regime- e cuja versão oficial dá conta de suicídio . A foto nunca apareceu. A história do operário virou documentário. Perdão, Mister Fiel estreou em 2009, sob a direção do jornalista alagoano Jorge Oliveira.

O filme conta a perseguição política ao metalúrgico pela ditadura militar brasileira, que resultou em seu assassinato nos porões do DOI-CODI, fato que desencadeou o processo de abertura política e redemocratização do país.

Personalidades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Jarbas Passarinho e Marival Chaves, ex-agente do Doi-Codi, dão seus depoimentos sobre o episódio.

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