Formação do trabalhador em Alagoas sob enfoque da Ufal

Neste momento, o governo de Alagoas reconhece publicamente a influência do déficit educacional na realidade crítica do estado

O encontro com a professora doutora, Sandra Regina Paz, ocorreu no contexto da posse dos novos membros do Conselho Municipal de Educação do município de Maceió (COMED).

Ambiente propício, desenrolam-se os pontos de afinidade: pesquisa em educação. A mesma faz parte do GP-TESE – Grupo de Pesquisa sobre Trabalho, Estado e Educação, junto a outra professora da Ufal, Drª Georgia Cêa.

Foco na formação do trabalhador, a pesquisa que norteia o grupo atualmente busca mapear as organizações que realizam ações nesse campo, como exemplo: sistema conhecido com S (Sesc, Senac, Sesi, Sest…), Ongs e Estado, através de suas secretarias específicas, dentre outras instituições. Ações do PNUD em Alagoas também merecem o interesse das pesquisadoras.

Seguindo a nascente da formação do trabalhador, a partir do governo FHC, passando por Lula até a contemporaneidade brasileira, com Dilma Rousseff, há uma continuidade histórica entre as ações, nas diretrizes dos planos de formação, apesar das diferenças partidárias e ideológicas desses governos.

Segundo a professora, o eixo permanece na perspectiva neoliberal de educação.

“Pode mudar aspectos semânticos e categorias chaves: cidadania, qualificação social do trabalhador, mas a perspectiva é a mesma”.

Nesse processo formador, há um esforço em responsabilizar as organizações da sociedade civil por ações que são dever do Estado.

“A perspectiva de parceria anunciada no governo FHC, traz a ideia; o governo Lula amplia a concepção de qualificação. Mas não no sentido de valorizar, resgatar dimensões humanas, mas para garantir a ênfase no mercado, a expropriação para aumentar os índices de exploração do trabalho”.

Em sua fala, a pesquisadora afirma identificar, em Alagoas e em Maceió, algumas iniciativas do poder público, sistema S e instituições que desenvolvem trabalhos sérios de formação do trabalhador. Mas grande parte do recurso utilizado vem do governo federal, deixando muitas iniciativas sem continuidade, numa realização meramente pontual.

Esse trabalho gera impacto na sociedade?

“Gera, em curto tempo, por ter um indivíduo minimamente habilitado para desenvolver trabalhos simples”.

“Não habilita com vistas à continuidade da formação do jovem”.

A professora Sandra Regina, trabalha hoje com seis bolsistas do curso de Pedagogia da Ufal, nas pesquisas: “Educação nos anos 2000: a parceria como eixo estruturante da política de educação de Alagoas”. E ” A formação do trabalhador no Brasil: práticas e fundamentos com um plano de trabalho cujo objetivo é mapear as ações de qualificação profissional no estado de Alagoas”.

Neste momento, o governo de Alagoas reconhece publicamente a influência do déficit educacional na realidade crítica do estado.

Quem sabe unindo resultados de pesquisas como estas e muitas outras que não vêm à público, consigamos encontrar novas formas de estruturar uma sociedade herdeira do arcaísmo e da ignorância política sob os moldes da renovação das práticas de investimento em bens sociais, como educação e cultura?

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